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Distúrbios do sono e influência psicológica em epilepsia

Importantes cientistas da Turquia realizaram um estudo com o objetivo de identificar distúrbios do sono em pacientes com epilepsia e comparar esse grupo a uma população saudável. Analisaram, também, as características dos distúrbios do sono em pacientes com epilepsia para demonstrar o efeito das crises e os tipos de crise no sono.

Pela relevância da questão, trazemos aqui uma interpretação crítica do trabalho realizada, a pedido do ABNews, por Andrea Frota Bacelar Rego, especialista em distúrbios do Sono da ABN. Uma entrevista imperdível, como você terá oportunidade de constatar. 

Quais os principais transtornos do sono em pacientes com epilepsia e quais hipóteses fisiopatológicas explicam a associação?

Epilepsia e transtornos do sono são comorbidades. Crises epilépticas, diurnas ou noturnas, alteram a arquitetura do sono. Apneia do sono e privação do sono são os principais problemas que impactam diretamente a qualidade do sono, desencadeando convulsões. A insônia é um dos mais frequentes transtornos do sono em pacientes com epilepsia, influenciando e interferindo, negativamente, no humor desses pacientes. Sonolência excessiva diurna, baixa qualidade de sono e síndrome das pernas inquietas também são queixas dos pacientes com epilepsia. Os transtornos do humor, particularmente depressão, têm maior prevalência entre os pacientes com epilepsia, o que também piora o sono. Sabidamente, as crises epilépticas noturnas têm um efeito negativo no sono, não se desconsiderando que crises diurnas também alteram a arquitetura do sono. As convulsões noturnas e os estados pós-ictais diminuem o tempo total e a eficiência do sono e aumentam a fragmentação e a latência do sono, bem como os despertares, o que piora a qualidade do sono e gera sonolência diurna.

Houve diferenças de transtorno do sono entre os grupos epilepsia e controle? Sintomas depressivos têm impacto nessas dissemelhanças?

Esse estudo, que analisa os principais transtornos do sono, não demonstrou diferença estatística significante entre os grupos com epilepsia e controle. Entretanto, quando agrupados os pacientes com epilepsia em com e sem depressão, todos os questionários de sono apresentaram-se piores no grupo dos deprimidos, e somente o índice de qualidade do sono de Pittsburgh demonstrou diferença estatística. Pacientes com epilepsia sofrem mais de depressão; pacientes deprimidos têm mais problemas de sono. 

Alguma característica da epilepsia (tipo de crise, presença de crises noturnas, espécie de fármacos epilépticos) teve associação com transtornos do sono?

Apesar de esse estudo não ter demonstrado maior prevalência de insônia no grupo de pacientes, essa é uma queixa frequente nesse grupo, o que se deve à fragmentação do sono, aos despertares relacionados às crises, e aos efeitos das drogas antiepilépticas. Não houve diferença estatística no que se refere a queixas de sono e tipo ou horário das crises, uso de monoterapia ou politerapia, ou tempo livre de crises. Alguns pesquisadores afirmam que pacientes com epilepsia focal e/ou noturna têm pior qualidade de sono que aqueles com epilepsia generalizada e/ou diurna. Também são controversos entre os neurologistas os efeitos das drogas antiepilépticas no sono.

Que conclusão do estudo é interessante levar para a prática clínica?

A epilepsia é conhecida por ter efeitos negativos no sono. Pacientes com epilepsia são mais propensos à depressão e, sabidamente, a depressão comórbida pode agravar ainda mais a qualidade e a quantidade do sono. Assim, todos os pacientes com epilepsia devem ser questionados sobre seu humor e queixas de sono no acompanhamento de rotina, a fim de se garantir a eficácia do tratamento. Mais pesquisas nessa área, com amostras maiores e avaliação do sono de forma objetiva por meio de polissonografia, são necessárias para a obtenção de dados mais robustos.

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