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O papel do gene da APOE na doença de Alzheimer

A ApoE está envolvida no transporte e no metabolismo de lipídios, tanto no sistema nervoso central, quanto fora dele. Mais especificamente no caso da doença de Alzheimer (DA), parece interferir no metabolismo e no acúmulo do peptídeo beta-amiloide, que é central na fisiopatologia da doença. 

Leonardo Cruz de Souza, professor adjunto da Faculdade de Medicina da UFMG, coordenador do DC de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da ABN, ressalta que o gene da ApoE é o principal fator de suscetibilidade gênica à DA esporádica. Localizado no cromossomo 19, ele modula o risco de se desenvolver a DA, em função do seu polimorfismo. 

“Assim, o alelo ε4 aumenta o risco de se desenvolver a doença. Os portadores de um alelo ε4 têm três vezes mais chances de desenvolverem a DA do que homozigotos ε3, ao passo que os homozigotos ε4 têm doze vezes mais chance de desenvolverem a doença do que os homozigotos ε3”, afirma Leonardo, que, a seguir, analisa o artigo Effect of the Apolipoprotein E Genotype on Cognitive Change During a Multidomain Lifestyle Intervention A Subgroup Analysis of a Randomized Clinical Trial – https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29356827

Em linhas gerais, o que foi o estudo FINGER (Finnish Geriatric Intervention Study to Prevent Cognitive Impairment and Disabilit)?

O Estudo FINGER foi um grande ensaio clínico randomizado e duplo-cego que testou o impacto de uma abordagem não-farmacológica multidisciplinar na prevenção de declínio cognitivo, em uma população de idosos suscetíveis. A intervenção consistiu em controle dietético, atividade física, estimulação cognitiva e monitorização de risco vascular. Os primeiros resultados do estudo, publicados em 2015, mostraram que a abordagem feita melhorava ou mantinha a função cognitiva dos participantes, em comparação com aqueles que não se submeteram à intervenção. O estudo demonstrou a importância de fatores não-farmacológicos na prevenção de declínio cognitivo. 

Entre os indivíduos carreadores do alelo ε4 da APOE, houve diferença entre grupo intervenção e grupo controle?

Não. O estudo demonstrou que tanto carreadores quanto não-carreadores se beneficiaram da intervenção não-farmacológica, em termos de prevenção de declínio cognitivo.

Que conclusões podemos tirar desse estudo?

O estudo reforça o papel da intervenção não-farmacológica multidisciplinar na prevenção de demência, sugerindo que o benefício de tal abordagem independe da genotipagem da ApoE.

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