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Esclerose Múltipla: regulação por microbiota intestinal

O tema é abordado em entrevista de Felipe von Glehn Silva, coordenador do DC de Neuroimunologia da Academia Brasileira de Neurologia, sobre o artigo Lymphocytes T Helper 17 in Multiple Sclerosis: Regulation by Intestinal Microbiota – http://jneuroscience.com/2019/04/22/lymphocytes-t-helper-17-in-multiple-sclerosis-regulation-by-intestinal-microbiota/

O que influencia no intestino a liberação específica da citocina relacionada ao processo pró inflamatório?

A mucosa intestinal e a microbiota estão em equilíbrio. Há uma barreira formada por epitélio, muco, imunoglobulinas A e a flora saudável, que mantém em baixo número eventuais bactérias patogênicas. Assim, evita-se que cresçam e lesem a mucosa, fenômeno esse conhecido como disbiose. 

Produtos de degradação de proteínas, polissacarídeos e lipídios, podem se difundir pela mucosa e desregularem as células do sistema imune residentes nos intestinos. Um exemplo deste fenômeno são ácidos graxos de cadeia longa ou o metano, que são produzidos por determinadas bactérias como as do gênero Firmicutes, que são pro- inflamatórios ou o butirato, que é anti-inflamatório, ou ainda os produtos de degradação do aminoácido triptofano (metabólitos da Kinurenina), que podem ser pro- ou anti-inflamatório. Se existe mais inflamação, células T de fenótipo Th17 e Th1 estão se expandindo e produzindo suas respectivas citocinas IL17 e INF gamma.

Em paciente com predisposição genética para manifestar doença como atuar via flora microbiota para tentar impedir como fator deflagrador do processo inflamatório?

Vários estudos em pacientes com diversas doenças autoimunes estão sendo analisados, sendo feito o estudo de microbioma comparando-os com sujeitos normais. A partir daí, gêneros de bactérias estão sendo associados a inflamação e a proteção quanto a doenças autoimunes. A ideia é no futuro, oferecer dieta pré-biotica, probiótica e as próprias bactérias protetoras em capsulas como suplemento alimentar, a fim de proteger os indivíduos suscetíveis geneticamente de desenvolverem a doença, ou se tiverem a doença, como forma de controle da sua atividade.

Como se isolou somente mecanismo via linfócito T 17 no mecanismo disbiose?

O paper discutido cita um ator conhecido, de vários conhecidos e a serem descobertos na área de imunologia de mucosa. Os linfócitos Th17 são sabidamente pro-inflamatórios e estão hiperativados na Esclerose Múltipla no sangue periférico e no Sistema Nervoso Central. Elas são ativadas pelas células dendrítica e outras células do sistema imune inato do intestino, mas elas não são as responsáveis sozinhas por todo o processo e não se sabe se elas são as mais importantes. Elas foram isoladas nas placas de Peyer, órgãos linfoides dos intestinos nos modelos murinos.

 De que forma se isolou estas bactérias da flora intestinal?

O DNA das fezes é extraído e o RNA ribossomico (RNAr) 16S é estudado através de metagenomica. Após conversão do RNAr em DNAr, a região V4 é amplificada por PCR e depois analisada por técnicas de sequenciamento (NGS- Illumina). Através de bio-informática, faz-se o cálculo da diversidade microbiana em comunidade, identificando-se os filos das bactérias (classificação taxonomica) e, depois se aplica os testes estatísticos corrigido para múltiplas análises.

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