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Como tomar melhores decisões sobre saúde, dinheiro e felicidade

Por Eduardo Uchoa*


Os autores de Nudge Richard H. Thaler, professor de Economia e Ciências Comportamentais na Universidade de Chicago e ganhador do prêmio Nobel de Economia, e Cass R. Sunstein, professor na Escola de Direito de Harvard e especialista em direito constitucional, políticas regulatórias e análise econômica das leis, descrevem as influências diárias em nossas escolhas sobre o que comprar ou comer, sobre investimentos financeiros, a educação e saúde de nossos filhos…

Com base em anos de pesquisas em Ciência Comportamental e usando diversos exemplos, demonstram que nenhuma opção nos é apresentada de forma neutra. Sempre estamos suscetíveis a tomar decisões ruins.

Ao compreender como as pessoas pensam é possível estabelecer uma “arquitetura da escolha”, que facilita o reconhecimento das melhores opções, sem restringir a liberdade.

Alguns pontos discutidos são interessantes, como a falsa suposição de que em melhor situação estaremos quanto maior o número de opções, que é impossível não influenciar pessoas em suas decisões e que paternalismo não envolve necessariamente coerção.

Os autores também discutem como somos avessos a perdas, olhando com menor peso os ganhos; como traçamos causalidades que inexistem, construímos histórias para interpretar eventos e como elas interferem em nossas decisões.

O termo “Nudge”, que podemos traduzir como cutucar e/ou empurrãozinho, refere-se a qualquer aspecto da arquitetura de escolha que altere o comportamento das pessoas de uma forma previsível, sem proibir opções ou alterar significativamente seus incentivos econômicos. Esta intervenção deve ser fácil e sem custo de se evitar. Nudges não são mandatos. Um exemplo seria um supermercado colocar frutas no nível dos olhos.

A teoria que envolve o Nudge tem sido usada de diferentes maneiras para ajudar os profissionais de saúde a tomarem decisões em diversas áreas. Exemplos incluem a utilização como uma forma de melhorar a higiene das mãos entre profissionais de saúde com o intuito de diminuir o número de infecções (1) e como forma de tornar a administração de fluidos uma decisão mais ponderada em UTIs, com a intenção de reduzir complicações bem conhecidas relacionadas à sobrecarga de fluidos (2).

A questão central debatida no livro é a possibilidade de influenciar as pessoas sem coerção, também conhecida como paternalismo libertário. É um tema controverso, que gera debates, com alguns críticos apontando que iniciativas de curto prazo, politicamente motivadas, poderiam oferecer escopo limitado para garantir mudança duradoura de comportamento.

Os autores do livro intitulado “Neuroliberalism: Behavioral Government in the Twenty-First Century” argumentam que, embora haja muito valor e diversidade nas abordagens comportamentais, existem questões éticas significativas, incluindo o perigo das ciências neurológicas serem cooptadas para atender agendas puramente de ordem econômica.

A leitura é bem válida, pois o livro é fonte para compreender melhor como as pessoas tomam decisões e estão sujeitas a influências nesses processos.

*Eduardo Uchôa, membro da Comissão Editorial do ABNews, especialista em Neurologia e área de Atuação de Dor

Referências

  1. Caris, MG (2018). “Nudging to improve hand hygiene”. J Hosp Infect. 98 (4): 352–358.
  2. Horst, Kawati, Rasmusson, Pikwer, Castegren, Lipscey (2018). “Impact of resuscitation fluid bag size availability on volume of fluid administration in the intensive care unit”. Acta Anaesthesiol Scand. 9 (62): 1261–1266.
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