A pandemia como catalisador: mudanças na relação do neurologista com a telemedicina



Emanuelle Roberta da Silva Aquino

Coordenadora da Comissão Aberta de Telemedicina da ABN


Em março de 2020, devido à pandemia da COVID-19, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) recomendou o adiamento de procedimentos, consultas e exames não urgentes, com o objetivo de garantir a disponibilidade de leitos para pacientes infectados pelo SARS-CoV-2, bem como de estimular o isolamento social e evitar o contato de pessoas sem COVID-19 com unidades de saúde onde pudessem vir a se contaminar.


Nesse contexto, a telemedicina se tornou extremamente útil para o neurologista e seus pacientes, permitindo o acompanhamento seguro de doenças crônicas e a investigação de novas queixas que não podem ser negligenciadas. A portaria 467 do Ministério da Saúde, de março, dispôs sobre as ações de telemedicina durante a situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) e teve o objetivo de regulamentar a prática contemplando atendimento pré-clínico, de suporte assistencial, de consulta, monitoramento e diagnóstico. Em abril, foi sancionada a Lei no 13.989, que autoriza o uso da telemedicina enquanto durar a crise ocasionada pelo coronavírus.


Durante o mês de maio, a ABN enviou a seus membros uma pesquisa visando a conhecer a relação dos neurologistas com a telemedicina antes e durante a pandemia. No total, 162 associados, das 5 regiões do País (Gráfico 1), responderam ao questionário. A média de idade dos participantes e do tempo de atuação como neurologista foi, respectivamente, de 44 anos e 15 anos.



Após o início da pandemia, o interesse dos neurologistas pela telemedicina aumentou, assim como a atuação na área (Gráfico 2).



As principais modalidades de telemedicina utilizadas pelos membros da ABN atuantes em telemedicina são a teleconsulta e a teleorientação, seguidas pela teleinterconsulta (Gráfico 3).



Apesar de apenas 19% considerarem que trabalhavam com telemedicina antes da pandemia, 86% dos membros que responderam à pesquisa já utilizavam meios eletrônicos para contato remoto direto com o paciente ou softwares de monitoramento.


A teleneurologia expandiu-se muito desde a implantação da telemedicina no atendimento ao acidente vascular cerebral (AVC) agudo. Estudos das últimas duas décadas avaliam a eficácia e a segurança do uso da telemedicina em diversas áreas da Neurologia, como cefaleia, epilepsia, distúrbios cognitivos e transtornos do movimento, e nos mostram que a telemedicina pode ser um método propedêutico adicional a ser incorporado nos serviços de saúde. O uso de tecnologia para troca de informações à distância entre profissionais de saúde e pacientes não deve ser um substituto para o contato presencial, mas, sim, um método complementar prático, que visa a melhorar o acesso do paciente ao sistema de saúde e a satisfação do paciente e do profissional.

99 visualizações

Aulas
Prévias

icocbn.jpg
Untitled-1.fw.png
banner_digital 193X178.gif
abneuro.gif

Apoio:

HOME

INFORMAÇÕES

CONTATO

Rua Vergueiro, 1353, sl. 1404, 14ºandar;
Torre Norte Top Towers Office;
São Paulo/SP - Brasil CEP: 04101-000.

contato@abneuro.org

MÍDIAS SOCIAIS

  • Branco Facebook Ícone
  • Branca Ícone Instagram

Copyright © Academia Brasileira de Neurologia 

Política de privacidade e uso de informações