A solidariedade no combate à COVID-19



O Brasil, e sua proporção continental, encontra enormes desafios para controlar a pandemia do novo coronavírus que assola grande parte do mundo. O Maranhão é um dos estados mais afetados pela COVID-19, os altos números de infectados e a ameaça de colapso do sistema público de saúde alerta sobre a gravidade da situação.


Entretanto, em meio às dificuldades e incertezas, a solidariedade também aparece como ferramenta de combate. O Instituto Rosa é um dos projetos que abre portas para a esperança de dias melhores.


Criada durante a epidemia de Microcefalia provocada pelo Zika vírus em 2016, a iniciativa surgiu focada em ajudar no desenvolvimento neuropsicomotor e emocional das crianças, principalmente através da terapia por animais. Com a pandemia e a carência da população local, o Instituto Rosa começou a oferecer uma espécie de atendimento solidário virtual aos pacientes com sintomas da COVID-19.


É nesse contexto que surge a figura de Jucélia Ganz, maranhense, neuropediatra e membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), tem vivência do trabalho voluntário há 20 anos e não teve dúvidas na decisão de doar tempo e cuidado para ajudar o projeto.


“No Maranhão, o número de casos é muito elevado. Atualmente, conheço mais pessoas que adquiram o vírus do que o contrário. Diante dessa realidade, mesmo sendo neurologista infantil, me senti na obrigação de estudar sobre o coronavírus e dar suporte de forma mais ativa. No começo para amigos e familiares informalmente e, com o aumento de pessoas infectadas, de forma profissional pelo serviço de telemedicina gratuita”, explicou.


O atendimento virtual abrange pacientes carentes, com difícil acesso às unidades básicas de saúde e que, geralmente, demonstram medo das consultas presenciais pelo risco de contaminação.


Jucélia atende, em média, 20 pessoas por semana e o contato acontece através do celular do próprio paciente, por vídeo chamada ou telefone. Segundo ela, os casos atendidos pela iniciativa são leves e moderados. Ao primeiro sinal de complicação, os pacientes são encaminhados para as Unidades de Pronto Atendimento (UPA).


A maior dificuldade da população assistida é na realização dos exames e no acesso à medicação prescrita. Além disso, há uma grande resistência relacionada ao isolamento e, o processo de conscientização é somado ao trabalho dos profissionais envolvidos no projeto para convencerem e promover a aceitação da importância das medidas de isolamento social.


O Instituto Rosa conta com 80 médicos voluntários que se propuseram a ajudar e são parte fundamental para sustentar a iniciativa. Com condição menos favorecida, os pacientes precisam da ajuda da classe médica para facilitar os exames e comprar os medicamentos. Muitos profissionais, inclusive, adquirem remédios em doação para os mais necessitados.


“Os médicos maranhenses se mostraram muito solidários e profissionais. Sou rodeada de bons exemplos”, enfatiza Jucélia. Apesar dos desafios, essa vivência também proporcionou momentos marcantes para a neurologista, que acredita na evolução positiva do projeto.


“Tenho um caso que ficou marcado. Um senhor de 91 anos, residente do interior, começou a apresentar sintomas. Ele não acreditava na doença, mas iniciamos as medicações logo no início, seguindo o protocolo do Conselho Regional de Medicina (CRM), e realizamos os exames. Ele acabou evoluindo muito bem e teve alta. Ainda sem acreditar na doença, mas curado”, conta.

Família

Estar na linha de frente do enfrentamento exige sacrifícios e permanecer longe dos familiares é o maior deles. Jucélia não apresentou sintomas da COVID-19, mas, seis entes próximos foram infectados e oitenta por cento dos funcionários da clínica na qual trabalha tiveram a doença.


Com a pandemia, a família sofreu uma separação abrupta. Casada e com uma filha de 10 anos, o marido de Jucélia estava no Uruguai quando a quarentena começou e, por conta de toda a situação, foi decidido que seria melhor e mais seguro ele permanecer por lá.


“Meu esposo é do grupo de risco e o Uruguai tem a pandemia absolutamente controlada. Então, estou morando sozinha com a minha filha, que está sofrendo muito com a falta do pai”.


Jucélia alerta também sobre a questão emocional. De acordo com ela, houve um aumento no número de casos de crianças com transtorno de ansiedade “A pandemia trouxe um adoecimento generalizado: físico e/ou emocional. Mesmo seguindo as regras de segurança, precisamos nos proteger física e emocionalmente”.

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