Alzheimer e outras demências aumentam risco de morte por covid-19, diz estudo

Causas dessa vulnerabilidade ainda não estão claras para os cientistas



As demências são as comorbidades que mais colocam os pacientes em risco de agravamento pela covid-19, revelou um estudo feito por Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Butantan, segundo o jornal O Globo. Pessoas com doenças neurológicas têm três vezes mais chance de terem um quadro grave ou morrerem em decorrência da infecção.


Publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia, o trabalho investigou os dados de pessoas com mais de 65 anos, disponíveis no UK Biobank (banco de dados biomédico com informações de saúde e genéticas de mais de meio milhão de participantes do Reino Unido).


De março a agosto de 2020, 12.863 indivíduos foram testados para covid-19, dos quais, 1.167 deram positivo. A partir daí, os cientistas puderam analisar as associações entre vários fatores de risco, incluindo todas as causas de demência, em especial, a doença de Alzheimer e o Parkinson, com a severidade e as mortes por covid-19.


Os resultados mostraram que a demência por todas as causas, especialmente o Alzheimer, estão associados a um maior risco de diagnóstico positivo de covid-19 e hospitalização, independentemente da idade. Esses problemas neurológicos aumentaram o risco de morte relacionada à covid-19 e também foram exclusivamente associados ao aumento de morte em indivíduos com 80 anos ou mais.


O porquê da vulnerabilidade desses pacientes, diz o estudo, ainda não está claro. Os pesquisadores especulam que parte da resposta esteja nas condições de vida desses pacientes que, em boa parte dos casos, vivem em asilos e lares de idosos, onde houve registros de surtos de coronavírus. Contudo, características clínicas dos pacientes com demência também podem contribuir para essa suscetibilidade. Condições inflamatórias crônicas e respostas imunológicas deficitárias podem aumentar a vulnerabilidade e reduzir a capacidade de resposta à infecção, acreditam os autores.

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