Brazil That Never Was

Atualizado: Nov 20


Andrew Lees, um dos pesquisadores de Parkinson mais citados no planeta, lança livro ambientado em nosso País. Narrativa envolve ciência e misticismo, tendo lucro revertido a pesquisas de combate e prevenção à doença





Saudade ou nostalgia são sensações de ausência de experiências prazerosas já vividas. Há décadas, aliás, a nostalgia era considerada transtorno psiquiátrico, tendo os primeiros relatos entre os soldados suíços distante de suas casas, em terrenos de batalha pela Europa.


Para o neurologista e escritor inglês Andrew Lees, nascido e criado em Liverpool, esses e outros sentimentos intensos foram combustível ao desenvolvimento do recém-lançado livro Brazil That Never Was (2020)


Fascinação e busca do Éden


Desde a infância, Lees vivia uma sensação de êxtase com a Amazônia e o Brasil. Essa fascinação ganhou mais força ao ser presenteado pelo pai com o livro A Expedição Fawcett (1954). É um relato da empreitada de Percy Harrison Fawcett, arqueólogo e explorador britânico que desapareceu sem deixar rastros junto ao filho mais velho na Serra do Roncador, em Mato Grosso, enquanto buscava pela civilização perdida “Z” dos mitos indígenas.


Fawcett sustentava, com convicção, que existia uma cidade pré-colombiana nos confins do Mato Grosso. Para ele, seria o berço de toda a civilização, além da origem da famosa civilização perdida de Atlântida. Ficaria na região das nascentes do Rio Amazonas, sendo banhada em ouro maciço e contendo outros muitos tesouros.


Esse imaginário encantava o menino Lees. Naqueles tempos, enquanto observava barcos brasileiros indo e voltando das docas de Liverpool, criava em sua mente um Brasil só dele: paradisíaco e mais acolhedor e promissor do que a desiludida Inglaterra pós-Segunda Guerra Mundial.


Na leitura sobre a Expedição Fawcett, delirava em particular com as descrições tropicais e de experiências de tribos canibais.


“A narrativa me encheu de vontade de seguir os passos de Fawcett e buscar por esse lugar que deveria parecer o Éden. Toda hora queria viajar ao Brasil em busca de descobertas. Até tentava fugir das memórias relacionadas aos barcos brasileiros e ao desaparecimento do explorador, mas elas sempre seguiram intensas. Ao escrever Brazil That Never Was, tentei, sem conseguir, botar a fixação para trás”, conta o autor.


Hoje, em virtude da paixão e fixação, o neurologista já soma 74 visitas ao Brasil - quase uma vez para cada ano de vida. Em sua produção literária, ele explora todos esses sentimentos em capítulos eletrizantes sobre suas descobertas e ligações entre ciência e fantasia.


Realismo fantástico


São muitas as teorias que tentam explicar o sumiço repentino de Fawcett e seu filho mais velho, Jack. A mais aceita é a de que ambos morreram em mãos de uma tribo desconhecida, em 1925.


Quase 60 anos depois, Lees reuniu todas as informações sobre Fawcett e começou sua investigação. “O que eu descobri foi uma história bem mais estranha do que todas as teses já conhecidas”, explica.


Por meio de buscas na internet, o neurologista encontrou até um blog que afirma que Fawcett estaria bem e saudável, vivendo como alma avançada no plano astral de Terra Oca, no subterrâneo da Serra do Roncador.


Ao entrar em contato com o responsável pelo site, Emmanouil Lalaios, recebe informações sobre a suposta existência de um lago encantado, túneis subterrâneos e a entrada para a cidade Z, onde estariam ainda as almas de Adolf Hitler e Elvis Presley, entre outras.


Posteriormente, Lees teve acesso a material não publicado pela família de Fawcett, obtido junto ao diretor de TV e teatro Misha Williams.


Tudo isso, junto e misturado, desencadeia o mistério metafísico de Brazil That Never Was, envolvendo maçonaria, misticismo celta, geomancia e alquimia. Um universo mágico, digno de quem conhece bem o funcionamento do cérebro, das emoções.


Nostalgia e neurologia


Andrew Lees comenta que uma boa maneira de compreender o caráter nostálgico que perpassa a obra do início ao fim é ler autores como Jean-Jacques Rosseau e Marcel Proust.

“Neurologistas precisam ser artistas, ter bagagem cultural. Devem aspirar a consertar mentes, assim como tratam de cérebros doentes. Ficarei satisfeito se Brazil That Never Was instigar meus colegas à reflexão sobre a saudade, por exemplo, estimulados por minha experiência e as suas em especial, considerando quais circuitos cerebrais a criam e qual é a sua função biológica”, destaca.


O livro assinado pelo próprio Andrew Lees pode ser obtido no site da editora Notting Hill (https://www.nottinghilleditions.com/product/brazil-that-never-was/); todos os lucros obtidos serão convertidos à organização Cure Parkinson’s Trust, responsável por garantir fundos às pesquisas de combate e prevenção à doença de Parkinson.

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