Canabidiol na Neurologia



A série Neuro Talks das Associações Paulista de Neurologia (Apan) e Medicina (APM) promoveu, semana passada, discussão focada no canabidiol. Acary Bulle de Oliveira, diretor Científico da Apan e membro da Academia Brasileira de Neurologia, foi o moderador do encontro.


“Quando entrei na Escola Paulista de Medicina, tive a oportunidade de ter aula com o espetacular professor Elisaldo Luiz de Araujo Carlini. Ele sempre apresentava novidades, entre elas os medicamentos de plantas. Inclusive criou na EPM a Psicofarmacologia, assumindo posição de destaque”, relembra.


Acary afirmou que, já nos anos 1960, Carlini afirmava que a maconha tinha certos produtos que poderiam ser especiais no tratamento de doenças – compreensão posteriormente transformada em certeza.


“Após certo tempo, ele dizia que não existia razão, a não ser ideológica, para rejeitar que a maconha tinha efeitos terapêuticas comprovados. Carlini faleceu aos 91 anos, em setembro deste ano, mas nos deixou um grande legado”, acentua o diretor da Apan, prestando homenagem a um de seus mestres.


O debate da série Neuro Talks teve participação de Vitor Tumas, professor de Neurologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, que lembrou que há milênios a cannabis é utilizada pelos homens, sobretudo em regiões como a China e a Índia, seja como substância medicinal, seja como ritual religioso.


“A mais utilizada é a sativa, mas há variedades que possuem diferenças nas substâncias. Algumas têm muita fibra, sendo utilizadas para produzir cânhamo. Mas estamos mais interessados na sativa. Podemos extrair na forma de ervas das folhas e flores ou em concentrações de resina, que é o haxixe – este com alta concentração de canabinoides”, explica.


Segundo Tumas, que também coordena o Setor de Distúrbios do Movimento e Comportamental do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da USP, a cannabis foi muito usada no século XIX como tratamento de problemas neurológicos, bem como em casos de náuseas, dor, sono etc. “Mas acabou abandonada no começo do século XX, pois surgiram outras substâncias.”


Ainda refazendo o histórico, o especialista aponta que nos anos 1960 foram identificadas as principais substâncias: o canabidiol (CBD) e o tetra-hidrocanabinol (THC). Já nos anos 1990, pesquisas confirmaram no sistema central receptores para essas substâncias, além de endocabinoides, já presentes nos sistemas.


“Essas duas substâncias – CBD e THC – têm funções distintas. E quando vamos analisar os efeitos que elas produzem, é difícil isolar ou localizar ou mecanismo exato. Conhecemos pouco sobre a maioria das coisas sobre o efeito da utilização delas”, pondera Tumas.


O especialista também assevera que em epilepsia, conforme estudos em síndromes Lennox-Gastaut e de Dravet, graves na infância, o uso de CBD muito as crises epilépticas que não são controladas com os antiepilépticos comuns – com poucos efeitos colaterais e interação medicamentosa.


“Já em casos de esclerose múltipla, estudo clássico mostrou que o extrato de THC traz melhora leve a moderada na espasticidade. Além de melhorar a dor, os espamos e a disfunção urinária. Em relação aos distúrbios de movimento, há poucos estudos e pouca evidência”, completa Tumas.

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