Como a obesidade afeta o cérebro e aumenta o risco de Alzheimer

24/11/20

UOL Viva Bem





Quanto maior o peso de alguém, menor será a atividade e o fluxo sanguíneo cerebral da pessoa, sendo esse último um indicador da possibilidade de desenvolver Alzheimer futuramente. Tais considerações foram publicadas após estudo de observação realizado na Universidade John Hopkins, de Baltimore, Estados Unidos, que buscou identificar padrões de anormalidade de perfusão no cérebro de acordo com o IMC (índice de massa corporal).


A pesquisa contou com 17.221 adultos, com idades entre 18 e 94 anos, nos quais foram feitas 35.442 varreduras em 128 regiões cerebrais. Os exames de perfusão avaliaram a quantidade de sangue e o desempenho do cérebro em pessoas com IMC de baixo peso (<18,5), peso normal (18,5 a 24,9), sobrepeso (24,9 a 29,9), obesidade (> ou = 30) e obesidade mórbida (> ou = 40).


Não é possível afirmar se essa associação direta entre o número do IMC e a redução do fluxo sanguíneo no cérebro é permanente ou se pode resultar em perdas cognitivas a longo prazo. No entanto, o estudo é um alerta sobre como a obesidade —assim como outros fatores de risco cerebrovasculares— necessita de abordagens cada vez mais aprofundadas, que possam determinar causas diretas das demências e melhorar as condições de prevenção.


O que diz o IMC


Segundo os endocrinologistas consultados, medir o IMC é uma ferramenta útil por ser fácil de aplicar, ter baixo custo e permitir padronizar a avaliação para oferecer um diagnóstico de obesidade. Por outro lado, apresenta algumas deficiências, pois o cálculo do IMC não distingue diversos elementos da composição corporal.


Dessa maneira, esse cálculo pode subestimar o excesso de gordura em alguns casos —como em uma pessoa que tem peso considerado normal para a altura, mas possui grande acúmulo de gordura abdominal— ou superestimar em outros —como um atleta com bastante massa muscular, em que o IMC pode aparecer alto sem necessariamente haver excesso de gordura no corpo.


Obesidade é doença?


Os exemplos acima indicam que o biotipo ou uma avaliação de IMC, isoladamente, não determinam a qualidade da saúde de qualquer pessoa. Além disso, é fundamental entender que ser ou não obeso não se resume à força de vontade, até porque existem discussões que perpassam a classificação da obesidade como doença.


A maior parte da classe médica defende essa nomenclatura para facilitar o acesso a tratamentos, cirurgias e conscientizar os pacientes de forma simples. Por outro lado, cada vez mais argumentos apontam para o aumento de preconceitos, barreiras profissionais e problemas psicológicos resultantes do estigma do gordo doente.


Pessoas do biotipo magro, por exemplo, não são obrigatoriamente 100% saudáveis. Ou seja, ter um peso considerado "normal" e de acordo com padrões estéticos que a sociedade reproduz não afasta problemas como hipertensão arterial, colesterol alterado, diabetes e outras doenças associadas ao corpo gordo.


Geralmente, elas aparecem nas pessoas que não se alimentam de forma correta, que levam uma vida sedentária e que têm vícios que, apesar de normalizados, são extremamente nocivos, como o tabagismo e o consumo de bebida alcoólica.


Sobre a magreza, quando se trata de idosos, a preocupação precisa ser redobrada em função de distúrbios nutricionais, o que pode ter ligação com a chamada síndrome da fragilidade. Ela inclui sintomas como perda de peso descontrolada, exaustão, redução da força e outros, quadro que requer auxílio profissional.


Riscos para a saúde cerebral


Além de discutir os efeitos da obesidade, é importante levar em conta outros comportamentos do indivíduo ao avaliar se o funcionamento saudável do cérebro está ou pode ser comprometido. Existe o determinante genético e hereditário, que tem participação na probabilidade de desenvolver uma doença cerebral, mas também a presença de agravantes ainda mais comuns.


Quando se estabelece um diagnóstico de Alzheimer, neurologistas indicam ao paciente e à família não só adotar medidas para evitar a progressão do quadro, como também buscar mudanças de hábitos que evitem surgimento de outro caso na família.


No centro desses cuidados está o controle de risco cardiovascular, que requer o tratamento de hipertensão arterial e diabetes, assim como buscar estilo de vida saudável, alimentação balanceada e manter um peso que não prejudique a realização de atividades físicas.


O colesterol alto também é um fator de risco e está ligado à ingestão de alimentos gordurosos, hábito que acelera a degeneração do cérebro.


O mesmo vale para uso de drogas ilícitas, abuso de álcool e tabagismo, pois não só órgãos como coração, pulmão ou estômago sofrem com esses vícios. O tabagismo, por exemplo, altera o fluxo do sangue e, com a dilatação dos vasos sanguíneos, aumenta as chances de um AVC (acidente vascular cerebral).


Fontes: Ana Carolina Dalmônico, neurologista pelo Hospital das Clínicas da UFPR (Universidade Federal do), atua no Hospital Santa Cruz, de Curitiba (PR); Augusto Cezar Santomauro Jr, especialista em endocrinologia e metabologia pelo HC- FMUSP (Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), endocrinologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo; Lucas Roquim e Silva, neurologista e neurofisiologista, mestre em medicina molecular pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), profissional do Instituto Hermes Pardini; Marcos Cabrera, geriatra, professor titular do Departamento de Clínica Médica da UEL (Universidade Estadual de Londrina), mestre em medicina interna pela mesma universidade e doutor em ciências médicas pela FMUSP; Maria Carolina Magalhães, endocrinologista, médica pela FCMMG (Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais), profissional responsável pelo setor de provas funcionais do Instituto Hermes Pardini.

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