Covid-19 impacta atendimento ao AVC



Em meio à pandemia de Covid-19, a saturação do sistema traz consequências bem complicadas a pacientes, médicos e demais profissionais da saúde. A começar pela insuficiência de leitos, de medicamentos, insumos, recursos humanos e de tecnologia adequada.


A demanda reprimida para assistência de doenças importantes é outro complicador, podendo provocar agravamento do quadro clínico e até perdas humanas.


Fato é que a Covid-19 impacta fortemente cuidados essenciais a pacientes. Por exemplo, às vítimas de acidente vascular cerebral (AVC). De acordo com Gisele Sampaio, secretária geral da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), ocorreu importante redução na procura por hospitais.


“Infelizmente os pacientes não pararam de ter AVC, mas eles deixaram de procurar assistência médica adequada após o início da pandemia”.


A realização de exames de neuroimagem também está comprometida. É que, muitas vezes, a tomografia é priorizada para observação do tórax, a fim de investigar o acometimento pelo SARS-CoV-2.


“Todos os profissionais e hospitais fazem o melhor possível, tentando alinhar fluxos, vencer carências. Porém, enquanto a pandemia perdurar, sofreremos reflexos da superlotação”, analisa Gisele.


Vale ressaltar que o atendimento para os casos de AVC agudo deve ser realizado em prazo máximo de uma hora, para resposta melhor. O indicado é que, nos primeiros 25 minutos, o paciente dê entrada no pronto-socorro para a tomografia e avaliação das possibilidades de tratamento.


Para o professor de Neurologia e Radiologia da Emory University School of Medicine, Raul Nogueira, é fundamental uma campanha permanente para conscientizar a sociedade e vencer a relutância de busca aos serviços de saúde:


“Houve, em um âmbito global, queda de mais de 20% no número de atendimentos de casos de AVC. Este fator se dá porque as pessoas deduzem subjetivamente que o sistema está em caos e, assim, podem contrair uma infecção indo ao hospital. Até é um pensamento razoável: a visita gera exposição. Mas é essencial lembrar, que situações de AVC ou de infarto do miocárdio são de alta severidade, com índice de mortalidade até maior do que a Covid-19”.


“Tem sido bem difícil lidar com a sobrecarga e com a pressão”, complementa Gisele. Enfrentamos limitações de espaço, de tecnologia e de acesso aos exames. É extremamente desconfortável para quem está na linha de frente, pois nosso compromisso é assistir da melhor forma os pacientes”.

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