Cresce o número de cuidadores familiares



Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD-C 2019), houve um crescimento no número de brasileiros que passaram a cuidar de seus parentes idosos. Eram 3,7 milhões em 2016, chegando a 5,1 milhões em 2019. A pesquisa aponta um percentual maior nos estados do Nordeste, mas o Rio de Janeiro se destaca na região Sudeste, por ter uma população maior de adultos acima dos 65 anos. Por conta da pandemia, esses dados podem ter sofrido um aumento nesses primeiros meses 2020.


A realidade se agrava quando pensamos que muitos desses idosos sofrem com algum tipo de demência. No Brasil, onde hoje há mais de 29 milhões de pessoas acima dos 60 anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acredita-se que pelo menos 2 milhões de pessoas apresentem o problema.


Entre os casos de demência, a doença mais comum, segundo a Organização Mundial de Saúde, é o Alzheimer, responsável por 60 a 70% dos diagnósticos. No momento não há cura e não tem como ser evitada. O que é possível fazer é minimizar as causas ainda quando é jovem tendo uma melhor qualidade de vida.


A doença manifesta-se através de uma demência progressiva, que aumenta sua gravidade com o tempo e os sintomas começam lentamente e se intensificam ao longo dos anos. É um conjunto de sintomas que provoca alterações do funcionamento cognitivo (memória, linguagem, planejamento e habilidades visuais-espaciais), físico (problemas de marcha e deglutição) e também do comportamento (apatia, agitação, agressividade, delírios, entre outros), limitando, progressivamente, a pessoa nas suas atividades diárias.


O tratamento requer um atendimento multidisciplinar com atendimento por profissionais da área da neurologia, clínica médica, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e nutrição. Muitos idosos enfrentam o problema com essa assistência. Com a crise e o achatamento das aposentadorias, a maioria não tem condições de pagar um plano de saúde e depende dos hospitais públicos/SUS que não oferecem um atendimento de excelência e acompanhamento constante.


Pode acontecer que os primeiros sintomas tenham início alguns anos antes dos familiares perceberem que o idoso está com demência. Podem ser esquecimentos simples, como troca de nomes dos netos, repetição de uma mesma história várias vezes e mudança de comportamento ou comportamento não adequado. Quanto antes se iniciar um tratamento, procurando a ajuda de um profissional da área médica, melhor será para retardar o avanço da doença. Um diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento, que tem como objetivo frear o progresso da doença.


Os cuidados com o paciente são essenciais para que ele tenha conforto. O convívio familiar também e muito importante. Sempre observar as mudanças de comportamento, ter cuidados com a higiene para evitar infecções, não entrar em conflitos e principalmente ter muita paciência e amor.


Familiares adoecem junto


Junto com os doentes, cresce também o número de familiares cuidadores que possuem sua rotina afetada pela doença. É comum este cuidador desenvolver doenças originadas pelo estresse. Além de vários outros problemas físicos, esse familiar pode apresentar também depressão, exaustão, insônia, irritação e falta de concentração. São problemas tanto físicos quanto psicológicos. Isso ocorre devido à sobrecarga de tarefas com o doente que aumenta com a evolução da doença.


Algumas dicas podem ajudar o cuidador a diminuir o estresse diário. Uma delas é aumentar o conhecimento sobre a doença, isso faz com que o familiar se prepare para as etapas do processo de demência, encarando as dificuldades de maneira mais prática. É importante que a pessoa tenha um sono reparador, pratique atividades físicas, tire um momento para si, mantenha uma rotina com amigos, medite, exercite a espiritualidade e se preciso participe de grupos de apoio.


*Andre Gustavo Lima – Neurologista. Ele é Membro da Academia Brasileira de Neurologia, Membro do Departamento Científico de Doppler Transcraniano da Academia Brasileira de Neurologia, Membro do Departamento Científica de Acidente Vascular Cerebral da Academia Brasileira de Neurologia, Membro Fundador da Associação de Neurologistas do Estado do Rio de Janeiro. Membro da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral e Membro da Europe Stroke Organisation. Cursou a Especialização em Doença Cerebrovascular no Hospital Santa Maria, Lisboa, Portugal. Diretor da Neurovida.


Fonte - O Estado de S.Paulo

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