Cultura Gota a Gota – Alzheimer e demência aos olhos da Disney-Pixar



Dia dos mortos, data importante em diversos países, entre eles, o México. Por lá, uma tradição é o culto aos falecidos, regado a um belo jantar e com exposição de fotos deles. A crença dos antigos aponta para a possibilidade de eles estarem ali, acompanhando, a homenagem as suas memórias, ocultos, silenciosamente.


É nesse contexto que ocorre a animação “Viva: a vida é uma festa”, da Pixar, estúdio da Walt Disney Company. O personagem principal, Miguel, transcende o plano entre a vida e a morte para desvendar o misterioso passado da sua família.


Sua bisavó, Mamá Coco, é a única que teve contato com o trisavô. Porém, sofre de Alzheimer severo. Ela já não recorda mais do pai músico nem das canções que tocava.

Mesmo ainda criança, Miguel mostra compreensão com as limitações da bisavó e tenta ajudá-la a recuperar lembranças. Só que Coco está quase incapaz de tudo, até de realizar tarefas simples.


O mote do filme traz à tona sobre eventuais consequências da dependência do doente nos familiares e pessoas ao redor. Em seu desfecho, “Viva: a vida é uma festa” registra momentos emocionantes, nos quais a bisavó de Miguel recorda a letra da música “Lembre de Mim”.


Vida real


O Alzheimer é doença neurológica degenerativa, caracterizada pelo acúmulo de proteínas anormais no cérebro, causando disfunção em sinapses e morte de neurônios. Paulo Caramelli, neurologista e professor titular do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, esclarece que essa morte neuronal acarreta comprometimento das funções cognitivas de forma progressiva.


“Aproximadamente 85% dos pacientes tem perda de memória como manifestação inicial. Afeta a lembrança de fatos recentes, a pessoa esquece rotinas, compromissos, senhas, informações, aniversários. Há riscos, como quando esquece uma panela no fogo, o ferro ligado, entre tantos outros”.


Caramelli pontua ainda que cerca de 15% podem não ter a perda de memória como primeira manifestação. Nesses indivíduos, os sinais iniciais podem ser alterações de linguagem, alterações visuais ou de comportamento.


Na maioria dos episódios, há desorientação espacial e à medida em que a doença progride pode interferir na realização de atividades do dia a dia.


“São comuns igualmente mudanças de comportamento, como apatia, que até lembra depressão, mas não tristeza. É perceptível a perda de iniciativa, de interesse geral, além de casos de agitação, agressividade e alucinações.”


Na animação da Disney é evidente a relação da doença na personagem Coco com a idade bem avançada. Na vida real, observa-se que o Alzheimer é mais comum a partir dos 65 anos, com a frequência vai aumentando de forma exponencial.


Com 80, 90 anos existe uma proporção significativa de pacientes. Alguns estudos indicam que entre as pessoas na faixa etária de 85 anos, 25% dessas tem Alzheimer.


“É uma doença que evolui gradualmente. Existe a fase assintomática, então os indivíduos já têm as primeiras alterações cerebrais, mas não os sintomas. Depois passam a acusar sintomas sutis, uma queixa subjetiva de que a memória não está igual como era antes, por exemplo”, afirma Caramelli.


Sobre a demência


“Demência é termo médico que denota o conjunto de alterações clínicas. Um comprometimento cognitivo ou comportamental com intensidade suficiente pra prejudicar a autonomia e a realização de atividades habituais de uma pessoa”, explica Paulo Caramelli.


Ele argumenta que a frequência de demência a partir dos 65 anos dobra aproximadamente a cada cinco anos. Algo entre 50 % a 60% dos casos de demência são devidos a doença de Alzheimer.

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