Dores em jovens atletas estão diretamente associadas à qualidade do sono, aponta estudo



Atletas jovens amadores com níveis baixos de qualidade do sono tendem a apresentar índices mais elevados de dor, tanto em repouso quanto durante a prática esportiva. Esta é a conclusão de um estudo realizado neste ano pela Facultad de Medicina, da Universidad Austral do Chile, em Valdivia. Segundo os pesquisadores, existe uma “estreita associação entre qualidade do sono e dor”, com uma prevalência ainda maior entre o público jovem.


Para o estudo, houve o acompanhamento de atletas, entre 13 e 20 anos, que participaram de competições nas modalidades de judô, atletismo, ciclismo, basquete e natação — todos de maneira amadora. Após as análises, foi constatado que quase metade dos entrevistados tinha o sono comprometido, sendo que 29,6% “merecem atendimento médico” e 15,5% “merece atendimento médico e tratamento” — indicando um caso mais grave.


Publicado pela Revista Brasileira de Medicina do Esporte, o estudo apontou que "a privação do sono aumenta a sensibilidade à dor” e que as chances de desenvolver dor crônica (que dura mais de três meses) são maiores na presença desse tipo de distúrbio. Este processo pode ocorrer por conta da associação entre as funções inibidoras da dor e a ativação de neurônios, que podem não ocorrer (ou acontecer de maneira deficitária) em caso de falta de sono profundo, muito comum nessa faixa etária.


Para o levantamento, foi realizado um “estudo transversal” (no qual o pesquisador não interage diretamente com a população amostral, apenas por meio de análise e avaliação por observação), com 71 jovens atletas amadores. A média de idade dos voluntários foi de 16,9 anos, com cerca de 6,5 anos de prática esportiva e 5,2 horas de treinamento por semana.


Em sua conclusão, o estudo reforça a ideia de que “a qualidade do sono e a dor devem ser consideradas por equipes técnicas e de saúde na avaliação rotineira de jovens atletas”, a fim de evitar que essa condição seja agravada pela falta de acompanhamento e cuidado adequados.


Além disso, o levantamento apontou que “há uma grande evidência de que atletas têm alta tolerância à dor e um sistema de modulação melhor do que indivíduos que não praticam esportes”, indicando que a atenção aos cuidados com a atividade física deve ser maior para amadores, justamente por conta das condições clínicas diferentes dos profissionais.


Fonte – O Globo

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