Estudo FINGER chega à América Latina



O Finnish Geriatric Intervention Study to Prevent Cognitive Impairment and Disability (FINGER) é o primeiro grande estudo randomizado controlado a relatar efeitos positivos da intervenção de estilo de vida sobre a cognição entre indivíduos mais velhos e de maior risco à demência. O Brasil, aliado a países vizinhos como Colômbia e Argentina, tem trabalhado incansavelmente no que diz respeito à doença de Alzheimer. Por isso, a América Latina foi escolhida para dar início ao estudo LatAm-FINGERS, braço do projeto original, visando a promover a prevenção primária da demência no continente. Veja, a seguir, entrevista sobre o tema com a dra Sonia Brucki, membro da Comissão de Educação Médica da ABN e cocoordenadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento e do Centro de Referência em Distúrbios Cognitivos (CEREDIC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Qual o papel do gene da apolipoproteínaE (ApoE) na doença de Alzheimer?

A ApoE é uma lipoproteína associada a partículas lipídicas. Sua função é o transporte de lipídeos entre órgãos, plasma e fluidos intersticiais, e é codificada no cromossomo 19. Sua ligação com a doença de Alzheimer se dá por meio de um de seus genótipos. É possível ter três tipos de polimorfismo, levando aos genótipos E2, E3 e E4. A presença do alelo E4 da ApoE é o principal fator de risco para a doença de Alzheimer esporádica. Quem apresenta o alelo em heterozigose ou homozigose tem deposição do peptídeo amiloide no cérebro em alguns anos antes de quem não o carrega, assim como maior prejuízo cognitivo.

Em linhas gerais, o que foi o estudo FINGER?

O estudo FINGER é uma intervenção multimodal em idosos com queixas de memória e fatores de risco vascular (hipertensão, diabetes, entre outros) que foram acompanhados por dois anos, inicialmente. Foram submetidos a treino cognitivo, atividade física, acompanhamento nutricional e controle rigoroso de comorbidades comparados a um grupo que só foi acompanhado de forma habitual. O grupo de intervenção apresentou melhora ao longo do tempo em relação ao grupo controle em medidas de função executiva, velocidade motora e de processamento e memória.

Entre os indivíduos carreadores do alelo ε4 da ApoE, houve diferença entre grupo intervenção e grupo controle?

Todos os indivíduos submetidos às intervenções melhoraram, mesmo os carreadores do genótipo E4.

Que conclusões podemos tirar desse estudo?

Pode-se concluir que a mudança de estilo de vida, com melhora da alimentação, treino da cognição, atividade física e cuidados, é importante para a manutenção da cognição. Haverá um braço do FINGER, o LatAm-FINGERS, em que vários países da América Latina tentarão utilizar o mesmo protocolo aplicado anteriormente ao redor do mundo. Aqui no Brasil teremos dois centros, no Hospital das Clínicas da FMUSP e na Universidade Federal de Minas Gerais, cujos investigadores principais serão, respectivamente, Ricardo Nitrini e Paulo Caramelli. Várias outras nações já estão participando, fazendo parte do World Wide FINGERS.

Será importante para nós participarmos e comprovarmos que essa intervenção multimodal pode ser realizada e que pode ter efeito positivo em populações de baixo e médio poder aquisitivo, diferentes níveis educacionais e heterogeneidade genética.

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