Global Stroke Alliance: união e força contra o AVC



AVC. Essas três letras representam uma doença que, no Brasil, é tida como a segunda maior causa de morte e a primeira de incapacidade. O Acidente Vascular Cerebral causa seis milhões de óbitos por ano, 70% das pessoas não retornam mais ao trabalho e 50% ficam dependentes do outro para realizarem atividades diárias. As estatísticas são reflexos do enorme impacto econômico e social acarretado pelo problema.


Para combater essa realidade e mudar o cenário da doença no mundo, surgiu o Global Stroke Alliance (GSA 2020), um congresso dedicado a unir esforços internacionais para melhorar a implementação de programas de AVC no âmbito da prevenção, alerta a população, tratamento e reabilitação.


De 11 a 14 de março, a cidade do Rio de Janeiro foi palco do evento que reuniu profissionais da saúde, especialistas, neurologistas, representantes do governo e indústria para discutir estratégias e iniciativas de sucesso.


“Nós trouxemos especialistas com uma grande experiência internacional em implementação de programas de AVC ao redor do mundo, justamente para que essa troca de experiências permita o crescimento ao acesso dos pacientes ao melhor diagnóstico e tratamento” , comenta Sheila Martins, idealizadora do congresso, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), presidente da Rede Brasil AVC e vice-presidente da Organização Mundial de AVC.


O GSA 2020 foi organizado pela Rede Brasil AVC, com o apoio da ABN, da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV), da Associação Brasil AVC, entre outras. Teve o chancelamento da Organização Mundial de AVC e Sociedade Iberoamericana de Doenças Cerebrovasculares, além da presença do Ministério da Saúde.


A dinâmica do evento contou com uma série de fóruns dos mais diversos temas, na tentativa de abranger todas as frentes relacionadas à doença "Tivemos fórum político com discussão de iniciativas, fórum de organização e logística, fórum técnico e o fórum de educação, responsável por ensinar os mais jovens e menos experientes os protocolos de atenção aos pacientes", explica.


No encontro ainda aconteceu o II Encontro Ministerial Latinoamericano de AVC, considerado um dos eventos de maior peso dentro do GSA 2020 por trazer 11 países da América Latina. Em 2018, a primeira edição ocorreu em Gramado, no Rio Grande do Sul, onde foram estabelecidas metas. Dessa vez, a reunião debateu sobre o que vem sendo implementado, o que foi cumprido e o que está pendente, tudo isso visando a elaboração de um plano de ação de combate ao AVC na região.


Finalidade

Implementação. Segundo a dra. Sheila Martins, o grande problema para alcançar uma melhora na diminuição do impacto do AVC no mundo está na capacidade de implementar. Ou seja, existe uma lacuna entre saber o que deve ser feito e agir efetivamente. Por esse motivo, o GSA 2020 tem papel fundamental.


"Conseguimos unir pessoas com experiência em modelos de sucesso para discutirmos juntos e auxiliar aqueles que têm menos estrutura e não sabem por onde começar", ressalta.


Com o objetivo de estimular globalmente a melhora na assistência ao AVC, os debates giraram em torno das melhores estratégias de implementação de intervenções baseadas em evidências em todos os níveis de atenção (prevenção, tratamento e reabilitação). Para isso, os participantes tiveram contato com as mais diversas temáticas como: reconhecimento dos fatores de risco, como tratá-los, organização do atendimento de urgência, entre outros.

Sheila ainda destaca "A reabilitação é uma grande barreira em diversos países. As vezes, focamos muito mais no atendimento e, depois que o paciente sai, não tem nenhum acesso à reabilitação e recuperação, que são pontos fundamentais". Todas esses temas estavam permeadas pelo pensamento de como executar programas e oferecer o que o paciente precisa nos diversos níveis da doença.


Além das discussões, o encontro abriu portas para dois projetos que buscam melhorar a implementação dos programas de AVC. Um deles é o "Corte o AVC pela metade", Projeto da World Stroke Organization voltado para os pacientes que não tiveram contato com a doença e tem médio risco e desenvolvê-la. É proveitoso ressaltar que o Brasil é o primeiro país a implementá-lo, em parceria com o Ministério da Saúde.


O segundo, idealizado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS-OMS), recebeu o nome de "Hearts" e também visa à atenção primária, para tratar aqueles pacientes com maiores riscos (hipertensos). Nesse caso, o enfoque não concentra-se apenas na medicação, mas também na modificação do estilo de vida como diminuir peso, o sedentarismo, tabagismo, reduzir o sal e adotar uma alimentação saudável.


Para Gilmar Fernandes do Prado, presidente da ABN, essa é uma grande oportunidade para os profissionais da saúde " É uma ótima iniciativa, tratando desde a atenção primária a procedimentos de altíssima complexidade. Um encontro que permitiu a troca de experiências e a colaboração entre os países na prevenção e tratamento do AVC.”

Trabalhos


Concomitante aos fóruns, o GSA 2020 apresentou também trabalhos de diferentes lugares do mundo. Foram 60 inscritos, dos quais os três melhores foram premiados. O foco dos projetos esteve na principal motivação do evento: a implementação de programas de AVC.

Os trio de trabalhos vencedores, respectivamente, abordaram: o georreferenciamento dos serviços de fisioterapia na cidade de Fortaleza, o impacto da desigualdade de gênero no tratamento da trombectomia mecânica e implementação de centros de AVC na América Latina: demografia, desempenho e resultados do AVC isquêmico agudo.


O congresso também serviu para demonstrar, aos gestores de saúde presentes, a pesquisa brasileira Resilient, que estudou e comprovou o custo-efetivo do tratamento de trombectomia mecânica no sistema público de saúde. O próximo passo é a incorporação do tratamento no SUS.

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