Lance inesquecível

Projeto Revivendo Memórias associa lembranças relacionadas a paixões como futebol a melhoras no quadro de pacientes com Alzheimer



Tricolor, colorado, rubro-negro, alviverde, canarinho... Não importa a cor da camisa ou o time do coração, o torcedor brasileiro que vive histórias marcantes com o futebol não esquece jamais do ídolo que honrou o nome do clube ou daquele gol aos 45 do segundo tempo em uma final de campeonato. Para descobrir mais sobre a relação entre o esporte e as memórias afetivas a ele associados, pesquisadores, neurologistas e funcionários do Museu do Futebol se reuniram, em dezembro de 2019, para colocar em prática o Revivendo Memórias.


Inspirado no projeto escocês Football Memories, do Scottish Football Museum, a iniciativa foi trazida ao Brasil por Carlos Chechetti, membro do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), que expandiu a ação para outras áreas além do mundo da bola. “Eu queria saber se a paixão, seja pelo esporte, por novelas, por música ou por literatura, poderia ser motivação cognitiva para as pessoas com problemas de memória”, explica o pesquisador.


Em conjunto com os colegas Ricardo Nitrini, Leonel Takada e Sônia Brucki, todos do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento, Carlos entrou em contato com o Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), com o diretor executivo Eric Klug e com o Núcleo Educativo do Museu do Futebol, e deu início ao projeto piloto do Revivendo Memórias.


Em torno de 30 pacientes com Alzheimer foram escolhidos para participar das atividades, entre elas, visitas ao museu, cuidadosamente preparadas.


Sônia Brucki destaca que a doença implica no comprometimento progressivo das memórias.


“Inicialmente, há a piora das lembranças mais recentes, como recados, contas a pagar e conversas. Com o passar do tempo, as recordações mais antigas são prejudicadas. Contudo, aquelas com maior significado emocional ou relembradas com frequência são mais difíceis de desaparecer”, detalha.


Baseados nessa peciliaridade, a coordenadora do núcleo do educativo Ialê Cardoso, a educadora Flávia Violim, o assistente de coordenação Marcelo Continelli, o supervisor do educativo Daniel Magnanelli e o bibliotecário Ademir Takara, do Museu do Futebol, prepararam a visita dos pacientes em três etapas: o acolhimento, o passeio pelo acervo e o encerramento da visita.


A primeira por meio de conversas sobre imagens de times, jogadores, personalidades e estádios. A segunda era realizada através do conteúdo e estrutura do próprio museu, mediada pela educadora e pelo supervisor. A derradeira, na biblioteca, fechava o tour retomando o que havia sido discutido e com o painel “Escale sua Seleção”, no qual o grupo montava um time com jogadores e personalidades.


Ainda que a análise não tenha sido feita cientificamente, muitos foram os resultados positivos observados, tais como o compartilhamento intenso de memórias e a interação entre os pacientes. Segundo o dr. Leonel Takada, o maior benefício foi criar a possibilidade de evitar o isolamento social dos pacientes com Alzheimer:


“Além disso, o estímulo cognitivo trouxe melhora em sintomas associados à doença, como depressão, inquietação e/ou falta de iniciativa”.


Para 2020, o projeto quer expandir sua atuação para outros estados brasileiros e, principalmente, para pessoas socialmente vulneráveis. Pesquisa em neurociência também deverá ser aplicada para entender melhor como a paixão pode, cientificamente, resgatar memórias.

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