Ligas Acadêmicas: o futuro da Neurologia está em boas mãos



As Ligas Acadêmicas são iniciativas estudantis para otimizar os estudos em áreas específicas dentro da Medicina. No caso da Neurologia, o objetivo é aprofundar o aprendizado da especialidade, aproximar-se dos renomados professores e traçar planos para suas carreiras individuais.


Sheila Martins, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e presidente eleita da World Stroke Organization (WSO), trabalha lado a lado com as Ligas Acadêmicas de Neurologia do país. “São alunos que buscam desde cedo melhorar suas formações. Eles vão atrás de programas adicionais e, consequentemente, se tornam profissionais muito mais capacitados”, conta a especialista.


Acompanhando de perto os cursos, grupos de estudos, palestras e projetos voltados para a qualidade da assistência à população, a neurologista explica que a movimentação acadêmica é fundamental na disseminação de conhecimento. Na Campanha Mundial do AVC desse ano, por exemplo, eles têm feito toda a diferença. Muitas vezes, lideram as ações de alerta aos pacientes sobre a doença e prevenção, sendo peças-chave na adaptação do movimento ao universo digital. “É recompensador ver que o nosso futuro está nas mãos de pessoas engajadas com a saúde da população”, destaca Sheila.


Além das ações sociais, as Ligas também possuem papel atuante na popularização da Neurologia pelo país. “Elas levam informações de forma mais prática e didática. É uma forma de desmistificar a Neurologia na atualidade”, afirma a médica.


Outro ponto positivo é a aproximação entre profissionais experientes e os jovens em início de carreira: o contato mais próximo com referências que os estudantes admiram e tomam como modelo ajuda nas decisões individuais quanto a suas trajetórias na Medicina.


“É por isso que a ABN defende o incentivo a esses jovens. Da mesma forma que a sociedade nos dá apoio como neurologistas, também está sempre ao lado dos residentes e estudantes em todas as suas iniciativas. Isso faz a diferença no fortalecimento da especialidade no nosso país”, pontua dra. Sheila.

NA VISÃO DOS ALUNOS


“As Ligas de Neurologia proporcionam aulas aprofundadas sobre temas que não veríamos com frequência na graduação. Isso me instiga a continuar estudando os aspectos que mais me atraem na Medicina”, afirma Guilherme Pamplona Bueno de Andrade, estudante de sétimo semestre e presidente da Liga de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


Para ele, são três os principais benefícios proporcionados pelas Ligas: além da capacidade de exposição a assuntos mais específicos, há ainda o contato com pesquisas de ponta divulgadas concomitantemente à graduação e a possibilidade de formar uma rede de alunos e professores interessados em aprimorar os estudos.


“Por exemplo, nós divulgamos pesquisas científicas que acontecem na nossa universidade e no Hospital de Clínicas, muitas vezes com assuntos que não são parte das disciplinas da graduação. O contato com pesquisas em desenvolvimento durante a graduação é importante para fomar novos pesquisadores”, opina Guilherme.


Carlos Eduardo Cordeiro Cavalcante, também acadêmico de Medicina da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e diretor de Ensino da Liga Acadêmica de Semiologia e Clínica Neurológica do Centro Universitário UniFacid Wyden, concorda e acrescenta o caráter estimulante das Ligas à produção científica e à função social do estudante.


“As ligas acadêmicas fornecem meios para a construção de projetos que objetivam a promoção da saúde. Também constituem um sólido pilar da formação médica na medida em que promovem a disseminação do conhecimento científico e fornecem bases para o exercício de ensino, pesquisa e extensão durante a graduação”, pontua.


Carlos destaca ainda o papel dos ligantes na intermediação de projetos, eventos e recomendações aos demais acadêmicos e à população em geral. Na visão do estudante, a aproximação com a ABN garante às ligas apoio científico e legitimidade frente à sociedade, fortalecendo o aprendizado em Neurologia.

PLANOS NO HORIZONTE


Para Guilherme, o futuro das Ligas estará calcado no trabalho conjunto entre diferentes organizações. “Hoje em dia, o ensino à distância está tão popularizado que assistimos aulas de qualquer lugar do mundo. Por que não aplicar o mesmo esquema ao a todo o Brasil? Na quarentena, aprendemos a olhar para fora dos nossos hospitais. Temos diferentes realidades e serviços dentro do nosso território, então seria interessante poder trocar mais informações com outros Estados brasileiros”.


Em ação nacional, Carlos acredita que as Ligas podem atuar como contraponto ao que ele chama de “neurofobia”, conferindo aos estudantes maior segurança na área, em especial no manejo das principais urgências neurológicas. “Afinal, todo médico generalista deve ser capaz de reconhecer essas enfermidades e realizar o atendimento inicial desses pacientes”, ressalta.


Sheila apoia e chama a atenção para outro projeto que surgiu em discussões promovidas pelas Ligas: o acréscimo de mais um ano de Residência, focado na Neurologia. Segundo a especialista, os alunos percebem a complexidade da área e sentem falta de um estudo mais aprofundado. “O profissional se forma como médico geral sem saber o básico de Neurologia, o que é imprescindível. Essa iniciativa é muito importante para melhorar o conhecimento na área como um todo, e não apenas aos neurologistas”.

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