Mulheres no comando

Dra. Sheila Martins é a primeira mulher e representante de um país em desenvolvimento a assumir a presidência da World Stroke Organization (WSO)



Amelia Earhart, Joana D’arc, Margaret Thatcher, Rosa Parks e Valentina Tereshkova são apenas alguns dos inúmeros nomes que marcaram a história da humanidade. O que eles têm em comum? São mulheres pioneiras em algum aspecto antes dominado pelo sexo masculino.


Em julho, mais um nome feminino foi carimbado nesse percurso. Sheila Martins, é neurologista e, com uma vida inteira dedicada a diminuir o impacto do Acidente Vascular Cerebral (AVC) no mundo, tornou-se presidente eleita de 2020 a 2022 e presidente de 2022 a 2024 da World Stroke Organization (WSO).


Sua trajetória e carreira ímpar culminou na decisão de todos os ex-presidentes da entidade a indicarem ao cargo. Os votos foram feitos pelo board de diretores de 50 pessoas representantes de diversos lugares do mundo. Concorrendo com mais outros dois candidatos, a neurologista foi escolhida e fez-se a primeira mulher e representante de um país em desenvolvimento a assumir essa posição na WSO.


“Fiquei receosa em aceitar o cargo. Não foi a primeira vez que fui convidada. Em 2016, sugeriram que eu fosse candidata, mas recusei. Acredito que foi bom, porque deu tempo para me preparar e ver que realmente tenho condições de liderar e replicar o que tenho feito no Brasil, América Latina e outros países do mundo”, conta.


Apesar de existir um intervalo de tempo até assumir o cargo, Sheila já reflete e estipula metas para a sua gestão. Entre os objetivos estão a criação de um comitê regional para auxiliar na implementação de centros de AVC avaliando as dificuldades de cada local, estender as campanhas de alerta e conscientização da população e ampliar as reuniões com os governantes locais.


De acordo com Sheila, a ideia é impulsionar ainda mais a postura ativa da WSO, indo aos lugares para auxiliar na capacitação, realizando congressos e reuniões com Ministérios da Saúde “Acredito que isso pode ser ampliado para o mundo inteiro. Organizar encontros com os órgãos responsáveis de cada país para discutir a situação e possibilidades de implementação de estratégias é muito poderoso e, realmente, estimula o desenvolvimento local e cobra resultados”.


A conquista do cargo é “inacreditável” nas palavras da neurologista. Para ela, assumir a presidência da WSO não havia passado pela sua cabeça quando começou sua relação com a associação e, o estímulo de colegas neurologistas do Brasil foi fundamental para alcançar esse objetivo.


“É muito emocionante pensarmos que podemos realmente mudar o mundo. A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) sempre apoiou absolutamente todos os passos que demos no Brasil para a implementação de novos tratamentos. Tenho certeza que teremos muito sucesso”.

O WSO


A World Stroke Organization (WSO), Organização Mundial do AVC em português, é um órgão não governamental reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma associação internacional de especialistas em AVC que trabalham em conjunto visando a redução do impacto global da doença através da prevenção, tratamento e cuidado posteriores.


“A WSO engloba 4.000 experts em AVC e 90 sociedades do mundo inteiro. Então, aproximadamente, estão representados 55.000 especialistas de diferentes partes do globo que se dedicam diariamente ao combate do problema”, explica Sheila.


A relevância da entidade no mundo é inegável, visto que atua em diversos aspectos relacionados ao AVC. São as mais variadas funções e responsabilidades, mas todas aspirando um único objetivo: unir forças e elaborar as melhores estratégias de redução do impacto da doença ao redor do mundo.


Com essa finalidade, a WSO é ativa desde capacitar profissionais de saúde de todo o planeta, até contribuir para a conscientização da população geral. Entre suas principais funções destaca-se a organização de diretrizes para implementar serviços de AVC em diversos lugares do mundo, melhorar a qualidade assistencial, reunir-se localmente com Governos e Ministérios da Saúde, além de criar e estruturar campanhas mundiais para alertar a sociedade global.


“Promover a conscientização sobre a doença, como prevenir, o que fazer caso haja algum sintoma e alertar sobre a importância de ter um tratamento eficiente faz toda a diferença, afinal a rapidez da assistência diminui as chances de sequelas e mortalidade”, comenta.


O estímulo de pesquisas também é uma das responsabilidades da WSO. Segundo Sheila, os congressos mundiais realizados pela associação são extremamente importantes no combate ao problema “Os congressos mundiais de AVC levam para o local onde é realizado muito avanço e melhorias, englobando não só a parte educacional, mas também política do país. Foi assim no Brasil, quando o recebemos em 2012. Envolveu amplamente o Ministério da Saúde e, a partir daquele momento, é que realmente desenvolveu a política nacional com a implementação de programas de AVC em todo o país”.


Atualmente, a WSO trabalha em um projeto ambicioso intitulado “Cut Stroke in Half”, que visa reduzir pela metade o número de casos de AVC, atuando na atenção primária com prevenção e modificação do estilo de vida.

Carreira


A história de Sheila com a WSO teve início pelo protagonismo da neurologista no combate ao AVC no Brasil chamou a atenção da instituição internacional. Desde então, as fronteiras brasileiras não foram capazes de limitarem seu talento e competência.


Seu desempenho a frente da Rede Brasil de AVC, uma organização não governamental criada para melhorar a assistência ao paciente e diminuir o número de casos da doença no país, gerou o convite do Ministério da Saúde para desenvolver um programa de AVC e realizar a avaliação da situação em todo o território nacional. Ao lado de colegas da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV), Sheila criou uma estratégia para o Brasil.


“Eu visitei pessoalmente todo o país, em nome do Ministério da Saúde, para avaliar a condição de cada lugar e, junto aos gestores locais, auxiliei na organização e criação do programa. O Brasil é muito grande e tem realidades completamente diferentes”, relata.


Com essa iniciativa, comprovou-se a possibilidade da implementação de uma estratégia eficiente, capaz de dar tratamento de fase aguda, implantar a telemedicina e unidades de AVC pelo país. Desde então, Sheila ajuda na capacitação desses centros e na organização das redes locais. Segunda ela, essa iniciativa abriu portas.


“Toda essa experiência no nosso país me fez ser convidada por outros lugares para auxiliar na organização dos serviços de AVC como Chile, Peru, Argentina, Paraguai, Uruguai, Colômbia, Rússia e Emirados Árabes”.


Em 2008, com esse trabalho ao lado do Ministério da Saúde, Sheila foi convidada pela WSO para torna-se membro honorário e, em 2012, integrou o comitê diretor. Seis anos depois, foi escolhida como vice-presidente e, em 2020, eleita presidente da entidade para a gestão 2022 a 2024.


Paralelamente, a neurologista também desenvolveu importantes projetos nos últimos anos na América Latina. Criou o Encontro Ministerial LatinoAmericano de AVC e o Global Stroke Alliance, um evento que une pesquisadores, gestores de saúde, cientistas, especialistas e inúmeros outros profissionais das mais diversas nacionalidades que têm alguma estratégia de diminuir o impacto do AVC no mundo.

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