Neurologia brasileira e Hospital de Fortaleza brilham no The New England Journal of Medicine



O Acidente Vascular Cerebral, AVC, é uma das doenças que mais mata e causa incapacidade no Brasil e no mundo. Estima-se que cerca de 70% das pessoas que sobrevivem a um AVC não retornam às suas rotinas normais e 30% se tornam dependentes de outras pessoas para as atividades do dia a dia.


O AVC ocorre quando há uma obstrução ou ruptura de uma artéria cerebral. No primeiro caso temos o AVC isquêmico, o tipo mais comum (80% dos casos). Apesar da letra A da sigla AVC significar acidente, hoje se sabe que está doença não é um acidente. Mais de 90% dos casos de estão associados aos fatores de risco (hipertensão arterial, fumo, obesidade, sedentarismo, dieta inadequada, colesterol elevado, abuso de bebidas alcoólicas, diabetes, estresse crônico e arritmias cardíacas).


O Hospital Geral de Fortaleza é, faz bom tempo, referência no atendimento a casos de AVC. Agora, ganha também o respeito internacional e olhares de admiração de todos. É consequência da participação ativa em estudos multicêntricos como o "Terapia endovascular para acidente vascular cerebral devido à oclusão da artéria basilar", publicado no The New England Journal of Medicine uma das revistas médicas de maior credibilidade do mundo.


A pesquisa foi coordenada pela Erasmus University Medical Center, da Holanda e estudou o papel da trombectomia mecânica no tratamento de AVC’s isquêmicos por obstrução da artéria basilar.


Neste estudo, o Serviço de Neurovascular do Hospital Geral de Fortaleza foi o centro que mais recrutou pacientes fora da Europa. Os pacientes foram aleatoriamente designados dentro de 6 horas após o tempo estimado de início do AVC para receber a terapia endovascular ou cuidados médicos padrão.


A pesquisa recrutou trezentos pacientes, sendo 154 do grupo de terapia endovascular e 146 no grupo de assistência médica. Apesar do end point primário não ter sido atingido pois não houve diferença significativa da incapacidade entre os grupos em 90 dias, o estudo sinaliza benefício para pacientes selecionados.


Para o neurologista, João José Carvalho, investigador principal do Hospital Geral de Fortaleza, este estudo tem relevância pois abordou um assunto muito pouco estudado até então. O tratamento dos chamados AVC’s de circulação anterior evoluiu de forma importante na última década, mas o dos AVC’s de circulação posterior ainda tem muitas questões a serem respondidas.


"Nós, os centros brasileiros, especialmente o Hospital Geral de Fortaleza, tivemos papel fundamental para que o estudo fosse concluído. Além do alinhamento com as melhores práticas internacionais, fomos protagonistas de um estudo muito importante para a prática neurológica publicado numa revista de referência", comenta João José. “O estudo é fundamental também para os pacientes. Este trabalho demonstra benefícios da terapêutica endovascular para um subgrupo de pacientes com AVC de circulação posterior e isso certamente vai determinar uma melhoria da assistência dos mesmos.”


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