Nova combinação de medicamentos surge para prevenir segundo AVC

Uso combinado do ticagrelor e aspirina promete diminuir a chance de novo episódio; estudo internacional teve a participação de um neurologista de Curitiba



Os pacientes que sofreram um AVC (Acidente Vascular Cerebral) contam com uma nova opção de tratamento para prevenção secundária, ou seja, para diminuir a chance de um segundo episódio nos meses seguintes.  Estatísticas apontam que uma a cada três pessoas que tiveram AVC tem chance de recorrência em 40%. De acordo com o chefe de neurologia do Hospital INC (Instituto de Neurologia de Curitiba), Pedro Kowacs, a chance de uma nova isquemia é bastante alta, principalmente no primeiro mês após o AVC. 


Pensando em diminuir esse risco, pesquisadores chegaram a resultados positivos na questão de prevenção com o uso combinado de dois fármacos: o ticagrelor (antiagregante plaquetário) e a aspirina, o ácido acetilsalicílico. “Essa dupla é efetiva na prevenção de um novo episódio. A combinação se mostrou uma boa opção”, diz.


O estudo foi publicado neste mês de agosto no New England Journal of Medicine, mais importante publicação do gênero, e teve a participação de Kowacs, que se dedica aos estudos com medicamentos há mais de 30 anos. Ao todo, 11 mil pacientes foram avaliados, em diversos locais do mundo. “Os cardiologistas já fazem essa associação de medicamentos há muitos anos, mas agora foi estudada para AVC porque reduz a capacidade de agregação do sangue e a formação de coágulos”, comenta.


A pesquisa foi realizada com pacientes que não foram submetidos à trombólise ou outra intervenção. De acordo com Kowacs, a partir da publicação do estudo o tratamento vai sendo incorporado às condutas médicas. “Mas os médicos terão que julgar bem quando vale a pena prescrevê-lo e o paciente deve ser muito bem informado sobre os riscos, como qualquer medicamento”, destaca.


De acordo com o especialista, além do aumento na prevenção, o uso combinado dos medicamentos aumenta o risco de sangramentos.


TRATAMENTO ATUAL


Hoje, o remédio mais utilizado em todo o mundo na prevenção secundária de AVC é o ácido acetilsalicílico. Os pacientes que sofreram um AVC isquêmico fazem o uso contínuo e diário do remédio para evitar uma nova isquemia.


A aspirina já é associada ao copidroguel e essa combinação é bastante prescrita no tratamento após AVC. No entanto, Kowacs aponta que a vantagem dessa combinação que acaba de ser descoberta (ticagrelor + aspirina) é o tempo de efeito do medicamento.


“Uma vez interrompido o uso já não se tem efeito no dia seguinte, ao passo de que com o cropidoguel são cinco dias. Isso é muito importante porque quando o efeito de um medicamento persiste por muito tempo, corremos o risco de não conseguir reverter os efeitos”, pontua.


ACESSO


Ao contrário da aspirina, o ticagrelor e cropitoguel são medicamentos de maior custo. Uma caixa com 60 comprimidos tem preços variados de acordo com o laboratório fabricante e locais de venda. Os preços giram em torno de R$ 300.


Sobre o acesso ao novo tratamento, o neurologista cita que a maior parte dos hospitais possuem os medicamentos para intervenção e ressalta que o mais importante é que essa combinação seja feita nos primeiros três meses, principalmente no primeiro mês pós-AVC.


HIPERTENSÃO, DIABETES E TABAGISMO


O AVC é a quarta doença que mais mata no Brasil e é a principal causa de incapacidade no mundo, de acordo com a ONG Rede Brasil AVC. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 99 mil pessoas morreram em decorrência de AVC em 2018.  

Há muitos fatores de risco para que um indivíduo tenha um AVC, do tipo isquêmico (mais comum) ou hemorrágico. Porém, o neurologista Pedro Kowacs, que atua no Hospital INC, referência na América Latina no atendimento e tratamento de pacientes com quadro de AVC, destaca a hipertensão, diabetes e tabagismo como os principais.  

Nos últimos cinco anos, a instituição registrou um aumento médio de 17% dos atendimentos de pacientes que dão entrada com quadro de AVC. Kowacs explica que a intervenção nesses casos depende essencialmente do tempo. O tempo máximo é de 4h30.  


“Quanto mais precoce, menos neurônios vão morrer por falta de sangue. Se passar desse tempo não adianta mais fazer nenhum procedimento, exceto em casos muitos selecionados, que são de isquemia visual. Tempo é cérebro. Quando o paciente é atendido nas primeiras horas é possível dissolver os coágulos e minimizar a perda de tecido com a injeção de trombolíticos”, detalha.  


Em relação às sequelas, Kowacs diz que varia de acordo com a região do cérebro atingida, podendo gerar alterações sensitivas, motoras, de equilíbrio etc. Entre os pacientes, a maioria é do sexo masculino porque, segundo o neurologista, as mulheres contam com o efeito protetor do hormônio estrogênio.


Fonte - Folha de Londrina

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