Novo estudo britânico aponta distúrbios cerebrais graves em pacientes com covid-19

Pesquisa da College London revela detalhes sobre pacientes infectados ou em recuperação com condições cerebrais graves e potencialmente fatais



Um novo estudo da University College London, no Reino Unido, mostra um aumento preocupante de distúrbios cerebrais graves - e potencialmente fatais - em pacientes infectados pelo novo coronavírus. Normalmente observada em crianças, a encefalomielite aguda disseminada (ADEM, na sigla em inglês) afeta tanto o cérebro quanto a medula espinhal. 


Os dados do estudo foram divulgados nesta quarta-feira (08/07) e fornecem detalhes sobre 43 pacientes infectados pelo vírus - com idades entre 16 e 85 anos - que realizaram tratamento no Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia em Londres e cujas complicações variam de inflamação e delírio a danos nos nervos e derrames.


A pesquisa, divulgada na revista científica Brain, revela um aumento de risco da condição ADEM quando a primeira onda de infecções por covid-19 atingiu a Grã-Bretanha. Segundo o Guardian, os casos de ADEM no Instituto de Neurologia da Universidade aumentaram de um a cada mês  antes da pandemia para dois ou três por semana durante os meses de abril e maio.


De acordo com o novo estudo, 12 pacientes apresentaram inflamação no sistema nervoso central, 10 tiveram distúrbios mentais como delírio e psicose, oito sofreram com derrame cerebral e outros oito apresentaram problemas no sistema nervoso periférico, como a síndrome de Guillain-Barré, uma reação que ataca os nervos e causa paralisia. 


"Estamos vendo coisas da maneira como a covid-19 afeta o cérebro que nunca vimos antes com outros vírus", disse Michael Zandi, um dos autores do estudo. "O que vimos com alguns desses pacientes de ADEM e em outros pacientes é que você pode ter uma doença neurológica severa, mas na verdade pode ser consequência de uma doença pulmonar viral."

As descobertas levantam preocupações com os efeitos a longo prazo da covid-19, que além dos sintomas conhecidos, também deixaram pacientes com problemas de dormência, fraqueza e memória. "A mensagem não é atribuir tudo isso à recuperação e aos aspectos psicológicos da recuperação", afirma Zandi. "O cérebro parece estar envolvido nessa doença."


Outra preocupação é de que o vírus possa deixar uma minoria da população com danos cerebrais sutis que só podem se tornar aparentes nos próximos anos. Segundo os pesquisadores, o mesmo pode ter acontecido após a pandemia de gripe espanhola, em 1918. Entretanto, de acordo com os cientistas, serão necessários novos estudos para compreeender as complicações reais e os impactos do vírus no cérebro humano.


Fonte - Época Negócios

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