O que as grandes pandemias contam sobre os efeitos do vírus no cérebro

Pandemias dos séculos XVIII e XIX deixaram rasto de sequelas neuropsiquiátricas, compatíveis com o que os médicos observam na Covid-19. Especialistas recomendam acompanhamento neurológico "cuidadoso" dos doentes



As grandes pandemias de coronavírus nos séculos XVIII e XIX levaram ao aumento de vários sintomas neuropsiquiátricos, algo que se repetiu em pandemias mais recentes, como a gripe suína ou a SARS. A observação consta da literatura académica antiga, sobre a história das pandemias, e da mais recente sobre a Covid-19, e confirma o que a comunidade médica tem observado ao longo das últimas semanas: a doença causada pelo coronavírus número 19 afecta em muitos casos o cérebro, entre outros órgãos, e deixa sequelas.


"Relatórios dos séculos XVIII e XIX sugerem que as pandemias dos vírus influenza em particular foram marcadas pelo aumento da incidência de vários sintomas neuropsiquiátricos, como insónia, ansiedade depressão, mania, psicoses, tendência suicida e delírio", aponta um estudo publicado em Abril deste ano por três académicos da Universidade da Califórnia. Em "Are we facing a crashing wave of nueropsychiatric sequelae of COVID-19?", os académicos notam que nas pandemias de 2003 (SARS) e 2009 (H1N1) foram reportadas "várias sequelas neuropsiquiátricas".


O estudo segue no sentido de outros "papers" recentes e das observações já feitas por médicos que tratam directamente pessoas infectadas pela Covid-19. Além dos efeitos causados pelo confinamento e pela ansiedade sobre a doença haverá que contar com outros problemas potenciais, causados pelo vírus em si.


"O novo coronavírus e a resposta do sistema imunitário das pessoas podem também afectar directamente o cérebro e o comportamento", apontam Emily Troyer, Jordan Kohn e Suzy Hong. Em Itália, por exemplo, foi criada uma unidade especial num hospital – na Universidade de Bréscia, na Lombardia – chamada NeuroCovid só para tratar doentes com problemas neurológicos.


A recomendação dos autores é para continuar a monitorizar as pessoas infectadas, o que representa um desafio grande dada a dimensão do número de infectados, já superior a 3 milhões em todo o mundo.

Uma recomendação idêntica é feita noutro estudo de Abril deste ano, assinado por seis médicos e investigadores espanhóis do hospital clínico de San Carlos, em Madrid. Este estudo desvaloriza o número de casos de sequelas neurológicas nas pandemias recentes, mas admite que com a Covid-19 pode ser diferente. "O acompanhamento posterior dos doentes afectados pelo SARS-CoV-2 [o vírus que provoca a doença] deve incluir uma avaliação cuidadosa do sistema nervoso central", escrevem em "Es esperable que haya cuadros neurológicos por la pandemia por SARS-CoV-2?", publicado na revista "Neurología".

O aumento relativo dos enfartes e derrames cerebrais em pessoas na casa dos 30 e 40 anos está a ser notada por vários médicos em Itália, na China e nos Estados Unidos. Este tipo de efeito ilustra a dificuldade que a comunidade médica está a sentir para perceber as ramificações do modo de operação do vírus. O que inicialmente deveria apenas focar-se num ataque aos pulmões está a revelar ser capaz de espalhar-se a outros órgãos vitais, como o coração e os rins.

Fonte — Sábado (Portugal)

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