O rastro de perdas e dor da Covid-19



Dez, cem, mil. Logo chegamos aos 10.000, aos 100.000. Depois 200, 300 e agora caminhamos para os 400 mil óbitos por Covid-19.


Uma página triste da história do Brasil. Podia e deveria ser diferente. Políticas equivocadas, falta de um plano consistente de vacinação, de uma coordenação unificada das ações em saúde contribuíram para a tragédia, para a pior crise sanitária de todos os tempos.


De outro lado - melhor, do mesmo lado, estão a pregação negacionista. Segue o incentivo ao uso de medicamentos estéreis e ineficazes, contrariando evidências científicas.


A negação à Ciência, condenada desde sempre pela Academia Brasileira de Neurologia e pelas lideranças médicas e de saúde responsáveis, tem preço, todos sabemos.


Lamentavelmente, o Brasil inteiro está pagando a conta, com vidas. São pais, mães, filhos, avós, amigos. São os nossos morrendo. Entes queridos de tantos e tantos.


Na Neurologia, há uma fatura posterior surgindo cada vez em maior proporção: as sequelas pós-Covid. Elas estão em estudos por cientistas do planeta inteiro - entre os quais, alguns de referência em nosso país - assim como por universidades do mais alto nível.


Estatísticas confirmam que cada vez mais pacientes com sequelas se apresentam aos neurologistas. Tanto os que se livraram de casos leves do novo coronavírus quanto os que escaparam de episódios agudos.


Os sintomas, em geral, se confundem com questões corriqueiras, como você verá em reportagem especial. Vale a todos nós redobrar a atenção. Nossos pacientes pedem socorro, não faltaremos nessa hora e em nenhuma outra.


Cuide deles e igualmente de você com todo o carinho.



Carlos Roberto de Mello Rieder, presidente da Academia Brasileira de Neurologia


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