Os caminhos cruzados da arte e da Neurologia



A Neurologia exige concentração, precisão e muita dedicação. Com a arte do desenho, também é assim. Talvez por isso Joyce Macedo, neurologista formada pela Universidade Federal da Bahia e pesquisadora clínica, seja expert nas duas atividades.


Ela conta que o amor pela pintura nasceu logo aos cinco anos de idade, com o incentivo materno. Ao perceber tanta inquietude e curiosidade, sua mãe passou a sugerir a realização de atividades artísticas. Então, a cada obra finalizada seguia-se outra, e mais outra, e assim por diante. “Chegou um momento em que todo material que minha mãe deixava à vista eu transformava em arte”, lembra Joyce.


Nascida na Bahia, a neurologista ressalta que a cultura do trabalho manual é muito forte em seu estado de origem. Ela sabe transformar papel, tecido, tela, porcelana, vidro e caixinha de MDF em belíssimos itens decorativos. Seu talento era tão notável que, quando chegou à época de prestar vestibular, amigos e familiares acreditavam que iria optar por cursos como Arquitetura ou Artes Plásticas. Contudo, Joyce escolheu a Medicina. “Medicina é diferente, é algo de que sempre gostei. Eu era muito curiosa, queria saber como as coisas funcionavam, como eu poderia consertá-las. Desde criança, tinha esses questionamentos. Acho que a carreira médica tinha tudo a ver com isso”. Aos 41 anos, a doutora trabalha com pesquisa e educação médica em pesquisa clínica, lidando diariamente com medicamentos inovadores e protocolos.


Engana-se, porém, quem pensa que os anos como neurologista a fizeram deixar de lado seus dons artísticos. Na verdade, os ofícios se complementavam e se complementam até hoje: “Na faculdade, meu caderno de anatomia era disputadíssimo, porque eu desenhava as peças que estudávamos. A arte me ajudou muito na Medicina por conta da fisiologia e dos mecanismos da ação do organismo. A Neurologia tem muita imagem, muitos caminhos e ramificações, então a representação visual ajuda na compreensão de processos complexos”, explica.


Para Joyce, a transformação da linguagem escrita em abstrata é uma das facilidades que o desenho proporciona na Medicina.

Atualmente, suas obras são feitas também como forma de lazer, para relaxar. Durante os fins de semana ou à noite dedica-se aos trabalhos manuais, o que considera uma forma de terapia.


O resultado final é comercializado em feiras de artesanato da cidade de Valinhos, interior de São Paulo, onde reside atualmente. Ela faz ainda algumas encomendas personalizadas e as expõe em sua conta do Instagram ou em programas da televisão local.


Joyce brinca que o contato com a arte é uma espécie de “hemodiálise mental”: “Você está ali, só você e sua obra. Então, trabalha a introspecção. É relaxante, consegue respirar e fazer uma filtragem do que vivenciou durante o dia todo. Nós, da área da Medicina, vemos doentes e problemas graves com frequência, então é preciso ter algo que alivie o estresse”, recomenda.


Apaixonada por duas atividades tão distintas de sua vida, Joyce compara, bem-humorada: “Eu acho que pintar porcelana é ainda mais difícil que a Medicina”.

213 visualizações

Eventos

event-placeholder.png
event-placeholder.png
event-placeholder.png

Apoio:

HOME

INFORMAÇÕES

CONTATO

Rua Vergueiro, 1353, sl. 1404, 14ºandar;
Torre Norte Top Towers Office;
São Paulo/SP - Brasil CEP: 04101-000.

contato@abneuro.org

MÍDIAS SOCIAIS

  • Branco Facebook Ícone
  • Branca Ícone Instagram

Copyright © Academia Brasileira de Neurologia 

Política de privacidade e uso de informações