Papel do gene da ApoE na doença de Alzheimer



A apolipoproteína E (ApoE) está envolvida no transporte e no metabolismo de lipídios, tanto no sistema nervoso central como fora dele. Mais especificamente no caso da doença de Alzheimer, parece interferir no metabolismo e no acúmulo do peptídeo beta-amiloide, que é central na fisiopatologia da doença.


Leonardo Cruz de Souza, professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e membro da ABN, ressalta que o gene da ApoE é o principal fator de suscetibilidade gênica à doença de Alzheimer esporádica. Localizado no cromossomo 19, ele modula o risco de se desenvolver a doença de Alzheimer, em função de seu polimorfismo.


“Assim, o alelo ε4 aumenta o risco de se desenvolver a doença. Os portadores de um alelo ε4 têm três vezes mais chance de desenvolver a doença de Alzheimer que homozigotos ε3, ao passo que os homozigotos ε4 têm doze vezes mais chance de desenvolver a doença que os homozigotos ε3”, afirma Souza, que, a seguir, analisa o artigo Effect of the Apolipoprotein E Genotype on Cognitive Change During a Multidomain Lifestyle Intervention: A Subgroup Analysis of a Randomized Clinical Trial.


Em linhas gerais, o que foi o Finnish Geriatric Intervention Study to Prevent Cognitive Impairment and Disability (FINGER)?

O FINGER foi um grande ensaio clínico randomizado e duplo-cego que testou o impacto de uma abordagem não-farmacológica multidisciplinar na prevenção de declínio cognitivo em uma população de idosos suscetíveis. A intervenção consistiu em controle dietético, atividade física, estimulação cognitiva e monitorização de risco vascular. Os primeiros resultados do estudo, publicados em 2015, demonstraram que a abordagem feita melhorava ou mantinha a função cognitiva dos participantes, em comparação com aqueles que não se submeteram à intervenção. O estudo demonstrou a importância de fatores não-farmacológicos na prevenção de declínio cognitivo.


Entre os indivíduos carreadores do alelo ε4 da ApoE, houve diferença entre grupo intervenção e grupo controle?

Não. O estudo demonstrou que tanto carreadores como não-carreadores se beneficiaram da intervenção não-farmacológica, em termos de prevenção de declínio cognitivo.


Que conclusões podemos tirar desse estudo?

O estudo reforça o papel da intervenção não-farmacológica multidisciplinar na prevenção de demência, sugerindo que o benefício de tal abordagem independe da genotipagem da ApoE.

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