Poder curativo das artes

Oficina de Artes promove experiência artística a pacientes de Parkinson



Quando se aposentou, em 1991, Lucy de Araújo frequentava um curso de Arte. Paralelamente, em casa, inseria no mundo mágico da pintura sua mãe, Adelaide Araújo, portadora de Parkinson, doença neurológica, degenerativa, progressiva e incurável que afeta os movimentos. Foi um marco na vida de dona Adelaide e na forma de enfrentar a doença, orgulhando-se de sua produção e exibindo-a a amigos e parentes.


Por ocasião da inauguração do prédio da sede social da Associação Brasil Parkinson (ABP), em 1995, Lucy foi convidada a implantar a mesma dinâmica como forma de terapia aos sócios portadores. Aceito o desafio, em poucos meses já contava com dezenas de participantes entusiasmados dando as primeiras pinceladas.


A Oficina de Artes Adelaide Araújo, assim denominada em homenagem a sua inspiradora por ocasião de sua morte, em 2002, tem hoje 24 anos. É particularmente exitosa na realização de mostras artísticas na própria ABP ou em eventos de instituições parceiras. Com sala cheia, as turmas de pintura, artesanato e, recentemente, cerâmica visam a trabalhar os movimentos dos alunos parkinsonianos, desenvolvendo a habilidade manual, a concentração, a autoestima e a integração social. Lucy segue na coordenação e muitos parkinsonianos já foram beneficiados com os impactos da arte em suas vidas.



Dia a dia


Cleide Daré, professora voluntária, afirma: “A Oficina é um primeiro passo para a experiência artística. Não queremos formar um grande talento ou um artista plástico. Buscamos somente a socialização dos participantes e o desenvolvimento da criatividade por meio das possibilidades que a gente oferece”. Portadora de Parkinson há 15 anos, Cleide auxilia na realização das aulas, dando apoio e confiança aos integrantes para que desenvolvam sua independência artística.


O encaminhamento é feito pelo time de fisioterapeutas da ABP. Ao chegar à Oficina, o aluno descobre novos talentos aplicados às técnicas que mais se encaixam a suas necessidades. “Se o paciente começa a praticar com a ajuda das coordenadoras, é questão de tempo para que passe a fazer sozinho. A ideia é que utilize a criatividade e crie por conta própria”, ressalta Cleide.

Os professores são todos voluntários. Muitos têm conhecimento prévio das técnicas artísticas a serem trabalhadas, mas não é requisito. Para participar, basta comprometer-se com a causa e querer ajudar.


Ao longo do tempo, os alunos parkinsonianos aprendem a soltar a imaginação, expressando o que se passa dentro de si através da pintura. A integração é outro ponto muito marcante, visto que eles aprendem a apreciar o trabalho uns dos outros, incentivando e dando suporte dentro do próprio grupo.


A concentração também é estimulada, a fim de manter qualidade de empenho e dedicação. A melhora da autoestima e os sentimentos de pertencimento e utilidade reinam na sala de aulas, propiciando um clima leve e feliz.


Os resultados são impressionantes. Mesmo com os tremores típicos do Parkinson, os membros da Oficina produzem quadros, panos de prato e materiais de cerâmica encantadores. “Muitos nunca tinham segurado um pincel e, de repente, se veem capazes de criar coisas lindas. Isso é pensar para além da doença. É descobrir novas possibilidades”, conclui Cleide.


Os trabalhos ficam expostos na sala e em eventos da ABP, assim como em feiras e solenidades das quais a Oficina é convidada a participar.

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