Residentes e jovens neurologistas juntam-se no combate ao coronavírus



Em tempos difíceis, a solidariedade e a união mostram-se como armas poderosas e em meio à pandemia de coronavírus não poderia ser diferente. Enquanto a maior parte da população brasileira segue o isolamento social, há uma legião de profissionais de saúde das mais diversas especialidades enfrentando o COVID-19 diariamente.


Essa é a realidade da Laís Maria Brito, José Marcos Vieira de Albuquerque Filho e Uéslei Almeida, jovens médicos que, com coragem, se dedicam à Neurologia e ajudam no combate ao vírus. Em um contexto pandêmico, eles se viram diante da necessidade de mudar suas rotinas e de exercer ainda mais os valores da Medicina.


COVID-19 e a Neurologia


Assim como grande parte das especialidades, a Neurologia também precisou enfrentar mudanças para se adaptar à nova realidade. Com o aumento da necessidade de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pelos pacientes infectados pelo coronavírus, o neurologista também sofreu alterações em sua atuação tanto ambulatorial como no pronto-socorro.


Albuquerque Filho é pernambucano, neurologista, preceptor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP) e um dos personagens dessa batalha. Segundo ele, no âmbito do ambulatório, o objetivo é abarcar o tratamento de pacientes crônicos, ajustando orientações e medicações gerais, e evitar que procurem os serviços de saúde. No caso do atendimento em pronto-socorro, lida-se com algumas consequências indiretas do COVID-19, que ainda estão sendo estudadas. “Estamos observando aumento da incidência de acidente vascular cerebral (AVC) nos pacientes com coronavírus, além de elevação da ocorrência de lesão muscular. Trata-se de uma doença nova, então até mesmo em questão de pronto-socorro em Neurologia ainda estamos aprendendo”, comenta.


Almeida é outro protagonista dessa pandemia. No terceiro ano de residência em Neurologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), o médico viu grandes mudanças no dia a dia do Hospital das Clínicas da instituição: “A Neurologia, especificamente, está funcionando da seguinte forma: os R1 estão indo para as tendas de triagem, e os R2 e R3 ficaram responsáveis pelo fluxo de pacientes neurológicos que ainda existe. Então, acabo tendo mais contato com pacientes infectados pelo coronavírus entre as consultas e na UTI”, conta. Por conta da atual pandemia, os atendimentos ambulatoriais no hospital foram cancelados e os residentes receberam escalas de plantão, revezando-se entre enfermaria, pronto-socorro e UTI, para evitar que haja concentração desnecessária.

Segundo Almeida, a UTI neurológica foi transformada e destinada a atender a demanda de casos de coronavírus.


A grande preocupação está nos pacientes crônicos que necessitam de acompanhamento próximo: “Aqueles que precisam e que não vão às consultas de rotina geram apreensão, pois sabemos que isso repercutirá no futuro. Além disso, as outras doenças continuam existindo, como os AVCs e as crises convulsivas, mas esses pacientes não estão indo procurar o serviço”, pontua Albuquerque Filho.


Rotina


A rotina, tanto no hospital como no deslocamento para o trabalho, também sofreu os impactos do coronavírus. Laís finalizou a residência há três anos e atua no pronto-socorro de um hospital privado da cidade de São Paulo. Com o consultório fechado para consultas, durante a semana ela faz plantões e é voluntária no Ambulatório de Esclerose Múltipla do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Além do âmbito profissional, o ritual de sair e chegar em casa também absorveu mudanças em prol da maior higienização, afinal os profissionais de saúde, atuando na linha de frente, estão amplamente expostos ao vírus. Laís, por exemplo, precisou assumir tarefas domiciliares e isolar um banheiro da própria casa, que divide com o marido.


“Minha rotina mudou bastante, porque agora precisamos ter um cuidado redobrado com limpeza, especialmente com familiares”, explica Albuquerque Filho, que reside na mesma casa que a família. Tirar os sapatos, despir-se na porta e ir direto para o banheiro tornou-se procedimento comum nos lares desses profissionais.


A motivação para enfrentar as dificuldades iminentes e adaptar-se ao novo cenário está na própria profissão: “É nossa função. Como médicos, precisamos contribuir de alguma forma para o atendimento à sociedade. Quando escolhemos a Medicina, além da questão da vocação, há um norte de querer ajudar as pessoas”, diz Almeida.

O medo


O medo é um sentimento presente entre profissionais da saúde e pacientes. De acordo com Albuquerque Filho, o medo é algo que dominou a população e os próprios médicos, que, como seres humanos, também detêm esse sofrimento psicológico: “É um mundo completamente novo, e cada vez mais, com as mídias sociais, há o acesso a muitas informações não checadas e de cunho catastrófico”.


O isolamento também se apresenta como um grande desafio e potencializador dessa sensação. Segundo Laís, há muito medo em relação à evolução da doença e precisar ficar afastado dos entes queridos dificulta. “O fato de os pacientes permanecerem sem a visita de familiares também promove uma fragilidade enorme para quem está doente e internado. O isolamento é cruel”, conclui ela.


Para os médicos, o maior receio está em ser portador e contaminar aqueles que os rodeiam. Entrar no quarto de um paciente, por exemplo, gera preocupação: “Nós nos preocupamos em carregar o vírus e contaminar alguém. Isso acaba gerando um pouco de estresse. É nítido no semblante dos pacientes de forma geral e até da equipe de saúde que o medo da contaminação é comum no dia a dia”, comenta Almeida.


Apesar do temor pelo contágio, Laís ressalta a importância de estar atuando para poder também presenciar momentos especiais: “Já vi uma paciente com COVID-19 recebendo alta. Era uma senhora idosa portadora de miastenia grave. A sensação foi de alívio, de vitória”, conta.

0 visualização

Aulas
Prévias

icocbn.jpg
Untitled-1.fw.png
banner_digital 193X178.gif
abneuro.gif

Apoio:

HOME

INFORMAÇÕES

CONTATO

Rua Vergueiro, 1353, sl. 1404, 14ºandar;
Torre Norte Top Towers Office;
São Paulo/SP - Brasil CEP: 04101-000.

contato@abneuro.org

MÍDIAS SOCIAIS

  • Branco Facebook Ícone
  • Branca Ícone Instagram

Copyright © Academia Brasileira de Neurologia 

Política de privacidade e uso de informações